Mudanças climáticas são ‘ameaça existencial’ para a humanidade, diz ONU

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Nenhum outro desafio em escala global é tão ameaçador quanto as mudanças do clima, afirmou o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, em uma conferência sobre o tema. O chefe da ONU reiterou sua convicção que o aquecimento global resulta em uma “ameaça existencial” para a humanidade. Evento debateu ações práticas na temática.

Derretimento de calotas polares e de geleiras são consequências do aquecimento global e contribuem para a elevação do nível do mar. Foto: PNUD

Derretimento de calotas polares e de geleiras são consequências do aquecimento global e contribuem para a elevação do nível do mar. Foto: PNUD

Nenhum outro desafio em escala global é tão ameaçador quanto as mudanças do clima, afirmou o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, em uma conferência sobre ação climática neste mês (15). O chefe da ONU reiterou sua convicção que o aquecimento global resulta em uma “ameaça existencial” para a humanidade.

Tanto liderança quanto inovação são essenciais para ação contra a mudança global do clima, afirmou Guterres em seu discurso na ‘R20 Austrian World Summit’, uma iniciativa de longo prazo para auxiliar regiões, países e cidades a implementar os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável e alcançar as metas do Acordo de Paris.

O chefe da ONU reforçou que “devemos utilizar todos os nossos recursos para construir um sentido de urgência”. Guterres também mencionou a importância por prezar pela contenção do aumento das temperaturas em no máximo 1,5 grau célsius.

O secretário-geral afirmou que existem razões para manter a esperança, declarando que “o mundo está vendo uma onda de ações contra as mudanças climáticas”.

Guterres citou exemplos como a construção de uma fazenda solar no Marrocos “do tamanho da cidade de Paris, que irá gerar eletricidade para milhões de lares até 2020”, e da conquista da China, que já ultrapassou seu objetivo de produzir 105 gigawatts de energia solar até 2020.

“Nós devemos nos basear nisso”, enfatizou o chefe da ONU, destacando o modo como a energia renovável, responsável pela produção de um quinto da eletricidade no mundo, também possui benefícios significativos à saúde.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) relatou que mais de 80% dos habitantes de regiões urbanas são expostos a ar de baixa qualidade.

“Investimentos em infraestrutura limpa e verde precisam ser realizados em uma escala maior em todo o mundo”, explicou. “Para tanto, precisamos de lideranças do ramo das finanças e investimentos, e que governos locais, regionais e nacionais decidam por grandes planos de infraestrutura nos próximos anos.”

O secretário-geral encorajou líderes do setor privado presentes na conferência, que contou com o apoio da Assembleia Geral da ONU, a anunciar novos financiamentos a projetos de energia limpa.

Embora os 30 membros da Agência Internacional de Energia (AIE), um organismo internacional multilateral, estimem que os investimentos realizados em energia renovável no ano de 2017 tenham sido de cerca de 242 bilhões de dólares, essa quantia ainda foi consideravelmente inferior ao montante investido no desenvolvimento de combustíveis fósseis.

Bilhões de dólares ainda precisam ser direcionados a estratégias renováveis para garantir uma “transição para energia limpa em grande escala” até o ano de 2020, de acordo com Guterres.

Além disso, mais de 75% da infraestrutura necessária até 2050 ainda não foi construída.

“Mobilizar e equipar governos locais com a capacidade e financiamento para acelerar a ação contra mudanças climáticas é necessário se quisermos dobrar a curva de emissão de gases de efeito estufa”, declarou.

Notando que as mudanças climáticas continuam a acontecer mais rápido que a implementação de políticas para controlá-las, o chefe da ONU fez menção ao Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC): “Quanto mais interferirmos em nosso clima, mais severos serão os riscos, e mais profundos serão os impactos”.

“Mas não precisa ser dessa forma”, continuou o secretário-geral, mencionando energia solar, eólica, e tecnologias de ponta, como veículos elétricos e energia provinda de algas marinhas, como artifícios que prometem uma nova era para o ar limpo.

“Vamos nos juntar a uma corrida pelo topo, uma corrida onde só existem vencedores”, concluiu Guterres.


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