‘Mudança climática continua sendo a maior ameaça à raça humana’, diz António Guterres

AUMENTAR LETRA DIMINUIR LETRA

Afirmação é do secretário-geral António Guterres. Em encontro com jornalistas, ele cita recorde de 320 bilhões de dólares em prejuízos causados por desastres naturais. Chefe da ONU pede redução de 25% dos gases de efeito estufa até 2020; ao comentar saída dos EUA do Acordo de Paris, ele diz que papel dos governos é cada vez ‘menos relevante’.

O secretário-geral das Nações Unidas promoveu, no final de março (29), uma coletiva de imprensa na sede da organização, em Nova Iorque, para falar sobre a mudança climática.

António Guterres disse que as manchetes dos jornais são dominadas por assuntos políticos, como escalada de conflitos e violência.

Mas, segundo, Guterres, “a verdade é que a ameaça mais sistêmica à raça humana continua sendo a mudança climática”. O chefe da ONU citou um “tsunami de dados” recentes que devem criar muita preocupação.

Ele citou alguns desses dados: os prejuízos com desastres do clima baterem o recorde de 320 bilhões de dólares em 2017; as emissões de dióxido de carbono do setor energético subiram para 32,5 gigatoneladas; e a temporada de furacões no Caribe, que acabou, em instantes, com décadas de desenvolvimento.

Acordo do clima

Segundo o secretário-geral, a concentração na atmosfera de CO2, metano e óxido nitroso é a mais alta em 800 mil anos. Os oceanos estão mais quentes e mais ácidos do que antes.

Guterres lembrou o Acordo de Paris sobre o clima, um compromisso internacional por ações que mantenham o aumento da temperatura global abaixo de 2 graus Celsius.

Mas o chefe da ONU disse que alguns cientistas já falam na possibilidade desse objetivo não ser alcançado. Por isso, Guterres fez um apelo aos líderes mundiais para que cortem as emissões de gases de efeito estufa em pelo menos 25% até 2020.

O secretário-geral anunciou que vai promover uma conferência em 2019 para aumentar a ambição neste sentido, porque “centenas de milhões de pessoas” dependem dessas mudanças.

Ele avalia que 2017 registrou muito “caos climático” e que este ano será parecido, já que “a mudança climática está se movimentando mais rápido do que nós”.

Por isso, António Guterres quer “vontade política, inovação, financiamento e parcerias”.

Durante o encontro, uma jornalista perguntou ao secretário-geral sobre os impactos da decisão da administração do presidente estadunidense Donald Trump de deixar o Acordo de Paris.

Guterres respondeu que no mundo todo, o “papel dos governos está cada vez menos relevante”, ao mesmo tempo em que cresce o papel das economias e das sociedades.

O secretário-geral disse que continua vendo compromissos com Acordo por parte dos empresários dos Estados Unidos, da sociedade e de vários estados norte-americanos. Assim, ele acredita que, apesar da posição da administração central, o país poderá cumprir com o que foi previsto no Acordo de Paris.


Comente

comentários