Mortes por sarampo diminuem no mundo, mas doença ainda mata 90 mil pessoas por ano

Em 2016, cerca de 90 mil pessoas morreram por sarampo — o que representa uma queda de 84% em relação às mais de 550 mil mortes registradas em 2000. As informações são de um novo relatório publicado na quinta-feira (26) pelas principais organizações globais de saúde. É a primeira vez que as mortes pela doença em todo o mundo caem para menos de 100 mil em um ano.

“Salvar uma média de 1,3 milhão de vidas por ano, por meio da vacina contra o sarampo, é uma conquista incrível e faz com que um mundo livre da doença pareça possível e até provável em nossas vidas”, afirma Robert Linkins, da Iniciativa contra o Sarampo e a Rubéola (MR&I, sigla em inglês). A MR&I é uma iniciativa da qual fazem parte a Fundação das Nações Unidas, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e a Organização Mundial da Saúde (OMS).

A região das Américas tem a eliminação do sarampo sustentada desde 2002 e as regiões do Pacífico Europeu e Ocidental fizeram progressos significativos para a eliminação. Foto: EBC

A região das Américas tem a eliminação do sarampo sustentada desde 2002 e as regiões do Pacífico Europeu e Ocidental fizeram progressos significativos para a eliminação. Foto: EBC

Em 2016, cerca de 90 mil pessoas morreram por sarampo — o que representa uma queda de 84% em relação às mais de 550 mil mortes registradas em 2000. As informações são de um novo relatório publicado na quinta-feira (26) pelas principais organizações globais de saúde. É a primeira vez que as mortes pela doença em todo o mundo caem para menos de 100 mil em um ano.

“Salvar uma média de 1,3 milhão de vidas por ano, por meio da vacina contra o sarampo, é uma conquista incrível e faz com que um mundo livre da doença pareça possível e até provável em nossas vidas”, afirma Robert Linkins, da Iniciativa contra o Sarampo e a Rubéola (MR&I, sigla em inglês) e chefe da Unidade de Controle Acelerado e Vigilância de Doenças dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos. A MR&I é uma parceria formada em 2001 entre a Cruz Vermelha norte-americana, os CDC, a Fundação das Nações Unidas, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Desde 2000, cerca de 5,5 bilhões de doses de vacinas contra o sarampo foram fornecidas às crianças por meio de serviços de imunização de rotina e campanhas de vacinação em massa. Estima-se que 20,4 milhões de vidas tenham sido salvas.

“Vimos uma queda substancial nas mortes por sarampo por mais de duas décadas, mas agora devemos nos esforçar para alcançar zero casos da doença”, diz Jean-Marie Okwo-Bele, diretor de Imunização, Vacinas e Produtos Biológicos da OMS. “A eliminação do sarampo só será alcançada se as vacinas contra a doença chegarem a cada criança e em todos os lugares”.

O mundo ainda está longe de atingir os objetivos regionais de eliminação do sarampo. A cobertura com a primeira das duas doses necessárias da vacina ficou estagnada em aproximadamente 85% desde 2009, muito abaixo da cobertura de 95% necessária para parar as infecções. A cobertura com a segunda dose, apesar dos recentes aumentos, foi de apenas 64% em 2016.

Muitas crianças — 20,8 milhões — ainda não tiveram sua primeira dose da vacina contra o sarampo. Mais da metade dessas crianças não vacinadas vivem em seis países: Nigéria (3,3 milhões), Índia (2,9 milhões), Paquistão (2 milhões), Indonésia (1,2 milhão), Etiópia (900 mil) e República Democrática do Congo (700 mil). Considerando que o sarampo é uma doença viral altamente contagiosa, grandes surtos continuam a ocorrer nesses e outros países da Europa e América do Norte, colocando as crianças em risco de complicações graves para a saúde, como pneumonia, diarreia, encefalite, cegueira e morte.

As agências observaram que o progresso na eliminação do sarampo poderia ser revertido quando os recursos financiados pela pólio — apoiando os serviços de imunização de rotina, as campanhas de vacinação contra o sarampo e a rubéola, além da vigilância — diminuíssem e desaparecessem após a erradicação da poliomielite. Os países com maior número de mortes por sarampo dependem mais dos recursos financiados pela pólio e correm um maior risco de reverter o progresso após a erradicação da poliomielite ser alcançada.

“Esta queda notável no número de mortes por sarampo é o ponto culminante dos anos de trabalho árduo dos profissionais de saúde, governos e agências de desenvolvimento para vacinar milhões de crianças nos países mais pobres do mundo”, argumenta Seth Berkley, presidente da Gavi, Vaccine Alliance, um dos maiores apoiadores mundiais dos programas de vacinação contra o sarampo.

“No entanto, não podemos nos dar ao luxo de sermos complacentes. Muitas crianças ainda estão perdendo vacinas que salvam vidas. Para atingir essas crianças e nos estabelecer em um caminho realista para a eliminação do sarampo, precisamos melhorar drasticamente a imunização de rotina, apoiada por sistemas de saúde fortes”.

Nota aos editores

A eliminação do sarampo é definida como a ausência de transmissão endêmica do vírus da doença em uma região ou outra área geográfica por mais de 12 meses na presença de um sistema de vigilância bem realizado.

A MR&I está empenhada em garantir que nenhuma criança morra por sarampo ou nasça com a síndrome da rubéola congênita, reduzindo as mortes por sarampo em 95% até 2015 e conseguindo a eliminação do sarampo e da rubéola em pelo menos cinco regiões da OMS até 2020.

A região das Américas tem a eliminação do sarampo sustentada desde 2002 e as regiões do Pacífico Europeu e Ocidental fizeram progressos significativos para a eliminação. Todas as seis regiões da OMS estabeleceram metas para eliminar o sarampo.

Os dados mais recentes estão publicados no relatório WHO’s Weekly Epidemiological e no CDC’s Morbidity and Mortality Weekly.