Mortes no Mediterrâneo atingem proporção inédita, aponta agência da ONU para refugiados

AUMENTAR LETRA DIMINUIR LETRA

Divulgado no domingo (2), um relatório da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) revela que as travessias no Mar Mediterrâneo se tornaram mais mortais do que nunca. Apenas em 2018, mais de 1,6 mil pessoas morreram ou desapareceram nessas rotas oceânicas com destino à Europa. Óbitos aumentaram, mesmo com a diminuição do número de migrantes e refugiados que chegam ao continente europeu.

Divulgado no domingo (2), um relatório da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) revela que as travessias no Mar Mediterrâneo se tornaram mais mortais do que nunca. Apenas em 2018, mais de 1,6 mil pessoas morreram ou desapareceram nessas rotas oceânicas com destino à Europa. Óbitos aumentaram, mesmo com a diminuição do número de migrantes e refugiados que chegam ao continente europeu.

No Mediterrâneo Central, entre janeiro e julho de 2018, uma em cada 18 pessoas que cruzaram as águas rumo à Europa morreu ou desapareceu. No mesmo período, em 2017, a taxa era de uma em 42. O levantamento do ACNUR foi publicado três anos após a divulgação das imagens do menino sírio Alan Kurdi, encontrado sem vida numa praia turca.

“Este relatório confirma, novamente, o Mediterrâneo como uma das travessias marítimas mais mortais do mundo”, afirmou Pascale Moreau, diretora do escritório do ACNUR na Europa.

“Com a queda do número de pessoas que chegam à costa europeia, isso não é mais um teste para saber se a Europa pode administrar os números, mas sim, se a Europa pode demonstrar humanidade suficiente para salvar vidas”, completou a representante do organismo internacional.

De acordo com o documento, as chegadas pelo Mediterrâneo aumentaram de 2017 para 2018 na Espanha e Grécia, mas tiveram queda significativa na Itália. Mesmo com tendências crescentes nos dois primeiros países, a média de migrantes e refugiados que aportam nas praias dessas três nações caiu de 2016 para cá.

De janeiro a julho de 2018, o território espanhol recebeu 27,6 mil estrangeiros vindos pelo mar que separa a África e a Europa. No ano passado, as chegadas alcançaram, no mesmo período, a marca dos 12,1 mil. Na Grécia, o contingente passou de 13,8 mil para 26 mil. Na Itália, porém, o número caiu de 95,2 mil para 18,5 mil.

Nos últimos meses, o ACNUR e a Organização Internacional para as Migrações (OIM) cobraram dos países europeus uma abordagem conjunta e previsível para o resgate e desembarque de pessoas em perigo no Mar Mediterrâneo. A agência para refugiados solicita à Europa que amplie as alternativas de migração segura e regular, como os programas de reassentamento e reunião familiar.

O relatório do organismo internacional pede que Estados europeus facilitem o acesso aos procedimentos de solicitação de refúgio, a fim de garantir proteção internacional para quem precisa.

Autor lembra morte de Alan Kurdi

Escritor e embaixador da Boa Vontade do ACNUR, o ex-refugiado afegão Khaled Hosseini publicou um novo livro ilustrado para lembrar os três anos da morte de Alan Kurdi. A obra “Oração do Mar” é dedicada aos milhares de refugiados que perderam suas vidas em todo o mundo, enquanto fugiam de guerras, violência e perseguição.

“Quando vi essas imagens devastadoras do corpo de Alan Kurdi, meu coração se estilhaçou em pedaços”, lembra o autor.

Hosseini alerta ainda que “apesar de milhares de pessoas perderem suas vidas no mar, nossa memória coletiva e senso de urgência em relação ao tema parecem ter desaparecido”.

Em junho e julho de 2018, o embaixador do ACNUR visitou o Líbano e a Itália, onde conheceu histórias de famílias devastadas por viagens e fugas perigosas.

“Na Sicília, visitei um cemitério solitário e desgrenhado cheio de túmulos de pessoas, incluindo muitas crianças, que se afogaram em viagens como a de Alan nos últimos anos”, conta Hosseini.

“Agora, cada uma dessas pessoas foi reduzida a apenas um número, um código em um túmulo. Mas todos eram homens, mulheres e crianças que sonharam com um futuro melhor. Três anos após a morte de Alan, chegou a hora de nos unirmos para fazer mais, evitar futuras tragédias e deixar que nossos amigos, familiares, comunidades e governos saibam que estamos juntos com os refugiados.”

(Na imagem de capa do vídeo, migrantes resgatados do Mediterrâneo na costa da Sicília, na Itália. Foto: OIM/Francesco Malavolta)


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