Morte de crianças por fome é ‘intolerável’, diz ONU em dia mundial

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Em mensagem para o Dia Mundial da Alimentação, lembrado nesta terça-feira (16), o secretário-geral da ONU, António Guterres, uma em cada nove pessoas no mundo não tem comida suficiente para se alimentar de forma adequada.

“Cerca de 155 milhões de crianças estão cronicamente malnutridas e poderão sofrer os efeitos do nanismo ao longo de toda a sua vida. A fome causa quase metade de todas as mortes de crianças em todo o mundo. Isso é intolerável”, enfatizou o chefe das Nações Unidas.

Em mensagem para o Dia Mundial da Alimentação, lembrado nesta terça-feira (16), o secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que uma em cada nove pessoas no mundo não tem comida suficiente para se alimentar de forma adequada. Atualmente, de acordo com a FAO, 821 milhões de indivíduos passam fome em todo o planeta. A maioria é de mulheres. O problema também afeta consideravelmente os jovens.

“Cerca de 155 milhões de crianças estão cronicamente malnutridas e poderão sofrer os efeitos do nanismo ao longo de toda a sua vida. A fome causa quase metade de todas as mortes de crianças em todo o mundo. Isso é intolerável”, enfatizou o chefe das Nações Unidas.

O dirigente máximo da Organização pediu um compromisso com um mundo sem fome, “um mundo em que todas as pessoas tenham acesso a uma dieta saudável e nutritiva”. “Países e empresas, instituições e indivíduos. Temos, cada um, de fazer a nossa parte rumo a sistemas alimentares sustentáveis”, completou Guterres.

Obesidade, a outra face da má nutrição

Em Roma, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) promoveu um evento para marcar a data e chamou atenção para outras formas de má nutrição — como o sobrepeso. “Estamos testemunhando a globalização da obesidade”, alertou o diretor-geral da agência da ONU, o brasileiro José Graziano da Silva.

“Se não encontrarmos caminhos concretos para impedir isso, o número de pessoas obesas vai logo se tornar tão alto quanto o número de pessoas subnutridas no mundo”, acrescentou o dirigente.

Graziano ressaltou que conflitos armados, fenômenos climáticos extremos, desaceleração econômica e níveis crescentes de sobrepeso e obesidade ameaçam reverter as conquistas da luta contra a fome e a má nutrição. Em 2017, o número de pessoas sem ter o que comer no mundo aumentou pelo terceiro ano consecutivo.

Ao lado dos elevados números de subnutrição, estão estatísticas que mostram 2 bilhões de pessoas no mundo com sobrepeso, incluindo 38 milhões de crianças com menos de cinco anos de idade. De todo o contingente, 672 milhões de adultos são considerados obesos.

Por ser um fator de risco para doenças como derrames, diabetes, problemas cardíacos e alguns tipos de câncer, a obesidade tem um impacto considerável sobre as economias. A FAO estima que ela cause perdas da ordem dos 2 trilhões de dólares por ano — o que equivale a 2,8% do PIB global.

“Precisamos implementar sistemas alimentares que forneçam comida saudável e nutritiva, que seja acessível e barata para todos”, defendeu Graziano. O chefe da FAO lembrou os exemplos do Brasil, Peru e China, que reduziram a fome significativamente em um período curto de tempo. Segundo o dirigente, isso prova que a fome zero é possível, se houver vontade política e apoio financeiro.

Durante a cerimônia, um representante do Vaticano transmitiu a mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial. Segundo o pontífice, “a luta contra a fome precisa urgentemente de um financiamento generoso, da abolição das barreiras comerciais e, acima de tudo, de uma maior resiliência diante das mudanças climáticas, das crises econômicas e das guerras”.

O chefe da Santa Sé também lamentou que a solidariedade internacional parecia estar “esfriando”. Francisco criticou a falta de vontade e entusiasmo político de líderes responsáveis, muitos dos quais, segundo o Papa, estão “absortos puramente em preocupações eleitorais ou focados em perspectivas enviesadas, transitórias ou limitadas”.

Também presente, a rainha Letizia da Espanha, que é embaixadora da Boa Vontade da FAO para a Nutrição, defendeu o empoderamento dos consumidores, que devem entender como se alimentar de forma saudável. “Vamos assegurar que o setor privado se comprometa mais, que a educação para saúde seja parte do currículo escolar. Vamos garantir que os consumidores tenham um papel mais proeminente e saibam o que estão comprando e comendo.”

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O diretor-executivo do Programa Mundial de Alimentos (PMA), David Beasley, alertou que o mundo está indo “na direção errada” para combater a má nutrição.

“Com toda a nossa riqueza, nosso conhecimento, nossa tecnologia, é uma vergonha para nós que qualquer criança passe fome. Nós todos seremos responsabilizados (por isso). Mas eu realmente acredito que se todos trabalharmos juntos, com o compromisso de homens e mulheres em todo o mundo, podemos alcançar a fome zero”, completou a autoridade máxima do organismo.

O presidente do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), Gilbert Houngbo, abordou o problema de uma perspectiva continental, lembrando os desafios particulares da África.

“Para que a agricultura africana alcance seu potencial, ela precisa de investimento. Não apenas numa produtividade ou rentabilidade mais altas, mas em infraestrutura, em pesquisa e em políticas que resultem em cadeias de valor que sejam inclusivas para agricultores familiares. Em particular, para as mulheres e jovens. Precisamos de vontade política e de compromissos orçamentários e, o mais importante, precisamos transformar desafios em oportunidades para as mulheres e a juventude rural.”


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