Mortalidade materna ameaça mães deslocadas no Sudão do Sul

Mesmo antes do conflito, o país já tinha uma das maiores taxas do mundo, com uma em cada sete mulheres morrendo durante a gravidez ou o parto.

No campo de refugiados improvisado em Mingkaman, no Sudão do Sul, a estação das chuvas não só aumentou o risco de doenças como reforçou a pressão sobre os trabalhadores humanitários que lutam para lidar com o crescente número de deslocados.

E é nestas condições que as mulheres grávidas têm os seus filhos. Apesar dos cuidados pré-natais que o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) disponibiliza, Kui Kang, de 19 anos, não conseguiu chegar à clínica na hora do parto.

“Eu fui à clínica ontem, fui vista pela parteira e ela me disse que era a minha hora de dar à luz mas que a bolsa tinha estourado. Eu voltei para casa e o trabalho de parto começou durante a noite”, explica Kang.

O bebê acabou por nascer sem qualquer assistência médica e agora, longe de casa, sem trabalho e dependendo da ajuda humanitária, o marido de Kui Kang está preocupado com a sobrevivência da família.

Foto: reprodução do vídeo

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“Tudo correu bem com o parto mas o maior problema agora é que, aqui no campo, eu não tenho trabalho e uma mulher que deu à luz precisa de muitas coisas como comida apropriada, roupas, muitas coisas que eu não posso dar dada a atual situação”, diz Kang Ruben.

O médico do escritório de saúde e nutrição do UNICEF, Garang Kur Apiu, afirma que a situação geral desde o início é muito ruim. “Temos muitas mães que deram à luz sem assistência, não há serviços de saúde e muitas coisas têm acontecido.”

Mesmo antes do conflito, o Sudão do Sul já tinha uma das maiores taxas de mortalidade materna do mundo, com uma em cada sete mulheres morrendo durante a gravidez ou o parto.

As infraestruturas pobres, o serviço de transporte inadequado, a distância dos centros de saúde e a falta de parteiras são algumas das principais causas para a elevada taxa de mortalidade materna no país.

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