Mortalidade infantil entre refugiados africanos aumenta seis vezes em um ano

Pior seca dos últimos 60 anos amplifica impactos do conflito. “Somália representa o pior desastre humanitário do mundo”, avalia o Alto Comissário da ONU para Refugiados.

O número de mortos entre crianças de até cinco anos em Dagahaley, no Quênia, aumentou seis vezes em um ano, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR). O local integra o complexo de Daadab, maior acampamento de refugiados do mundo, com quase 400 mil pessoas. Ele é formado também pelos campos de Ifo e Hagadera, onde a mortalidade infantil cresceu entre 3,2 e 3,8 vezes no mesmo período.

A Agência alerta também para o crescente número de somalis que caminham por semanas para buscar refúgio na região. Famílias chegam no limite da sobrevivência, em estado avançado de deterioração, e muitas perdem os filhos ao longo da jornada. “Acredito que a Somália representa o pior desastre humanitário do mundo”, avaliou, na segunda-feira (11/07), o Alto Comissário da ONU para Refugiados, António Guterres.

A pior seca dos últimos 60 anos quadruplicou os preços dos alimentos no país, amplificando os impactos do conflito. “Estamos em uma crise agora”, afirma a Diretora do Escritório de Nutrição e Segurança Alimentar do ACNUR, Allison Oman. “Precisamos de medidas extraordinárias para ajudar.”