Morre idoso atingido por canhão de água da polícia na Coreia do Sul

Relator especial sobre a liberdade de reunião pacífica e associação da ONU expressou “profunda consternação” com a morte, no último domingo (25), do manifestante sul-coreano Baek Nam-gi, de 69 anos, pedindo às autoridades do país que façam uma investigação completa sobre o uso letal de um canhão de água pela polícia; ataque aconteceu em novembro de 2015 e, até o último final de semana, Baek estava em coma.

Evento em junho de 2012 com Minjuwha Baek, filha de Baek Nam-gi, morto no último domingo (25) após ficar em coma por quase um ano. Ele foi morto pela polícia, que jogou água contra manifestantes durante um protesto em Seul, em novembro de 2015. Foto: Maina Kiai/Flickr/CC

Evento em junho de 2012 com Minjuwha Baek, filha de Baek Nam-gi, morto no último domingo (25) após ficar em coma por quase um ano. Ele foi morto pela polícia, que jogou água contra manifestantes durante um protesto em Seul, em novembro de 2015. Foto: Maina Kiai/Flickr/CC

O relator especial sobre a liberdade de reunião pacífica e associação da ONU, Maina Kiai, expressou na quarta-feira (28) profunda consternação com a morte, no último domingo (25), do manifestante sul-coreano Baek Nam-gi.

O especialista pediu às autoridades do país que empreendam uma completa investigação sobre o uso letal de um canhão de água pela polícia no ano passado, que levou o militante à morte.

Baek, um agricultor de 69 anos de idade, foi derrubado no chão por um canhão de água operado pela polícia quando participava de uma manifestação pacífica em Seul em novembro de 2015. Ele permaneceu em coma até a sua morte.

“Expresso minhas mais profundas condolências aos familiares e amigos de Baek Nam-gi por esta perda trágica. Eu tive a oportunidade de conhecer as filhas dele em Seul, durante a minha visita ao país em janeiro de 2016, e em Genebra, em junho passado. Eu fiquei bastante impressionado com a coragem e determinação delas em buscar justiça para o pai em momentos angustiantes”, disse Kiai.

“Peço uma investigação completa e independente sobre o uso inadequado da polícia de canhão de água durante a manifestação realizada em novembro de 2015, que inequivocamente levou à morte de Baek”, sublinhou o especialista.

Evento em junho de 2012 com Minjuwha Baek, filha de Baek Nam-gi, morto no último domingo (25) após ficar em coma por quase um ano. Ele foi morto pela polícia, que jogou água contra manifestantes durante um protesto em Seul, em novembro de 2015. Foto: Maina Kiai/Flickr/CC

Evento em junho de 2012 com Minjuwha Baek, filha de Baek Nam-gi, morto no último domingo (25) após ficar em coma por quase um ano. Ele foi morto pela polícia, que jogou água contra manifestantes durante um protesto em Seul, em novembro de 2015. Foto: Maina Kiai/Flickr/CC

“Os autores devem ser responsabilizados, e a família Baek deve receber uma compensação adequada. Além disso, todas as medidas adequadas precisam ser empreendidas para evitar que uma tragédia semelhante volte a acontecer no futuro”, acrescentou.

O relator especial também reiterou as recomendações feitas às autoridades sul-coreanas em seu relatório de junho de 2016, e pediu ao governo que reveja as táticas utilizadas para a gestão de manifestações – incluindo o uso de canhões de água e barricadas –, para garantir que elas não sejam aplicadas indiscriminadamente ou contra manifestantes pacíficos, e sejam direcionadas a facilitar em vez de impedir o exercício dos direitos de reunião.

“É fundamental que as autoridades aprendam as lições dessa tragédia dolorosa, para que ela não volte a acontecer”, frisou.

O especialista ainda apelou às autoridades sul-coreanas para que respeitem a vontade da família de que o corpo de Baek não seja levado à autópsia.

O pedido de Kiai foi endossado pelo relator especial sobre a situação dos defensores dos direitos humanos, Michel Forst; pelo relator especial sobre a tortura e outros tratamentos ou penas cruéis, desumanos ou degradantes, Juan Mendez; e pelo relator especial sobre as implicações para os direitos humanos do manejo ambientalmente saudável e a eliminação de substâncias e resíduos perigosos, Baskut Tuncak.