Modelo brasileiro de controle do tabaco é destaque na cerimônia dos 10 anos da Convenção da OMS

“As ações de implementação do tratado provaram que pressões internas, econômicas e políticas podem ser superadas. O resultado é uma redução da prevalência do uso do tabaco no Brasil de 35% no final dos anos 1980 para os atuais 11%”, disse a diretora-geral da OMS, Margaret Chan.

Brasil é líder no combate ao tabagismo. Foto: Município de Aracruz

Brasil é líder no combate ao tabagismo. Foto: Município de Aracruz

Líder na produção de tabaco, o Brasil é também um modelo no controle do tabagismo, reconheceu a diretora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margaret Chan, em um vídeo reproduzido na cerimônia dos 10 anos de ratificação da Convenção-Quadro da OMS para o Controle do Tabaco (CQCT). O encontro aconteceu na quinta-feira (5), na sede da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), em Brasília.

“As ações que foram tomadas pelo país na implementação do tratado provaram que pressões internas, econômicas e políticas podem ser superadas. O resultado é uma redução da prevalência do uso do tabaco no Brasil de 35% no final dos anos 1980 para os atuais 11%. Uma conquista impressionante”, disse Margaret Chan.

Contando com a participação de 180 países, o compromisso é um dos mais respeitados no mundo, segundo o representante da diretoria do Instituto Nacional do Câncer (INCA), Eduardo Franco, lembrando que o Brasil ajudou a elaborar a convenção, incorporando-a como sua própria política nacional.

A chefe do secretariado da Convenção Quadro da OMS no Brasil, Vera Luiza da Costa e Silva, adicionou que o tratado ajudou a evitar mais de 7 milhões de mortes, o equivalente a toda a população de El Salvador. Já o ministro da Saúde, Marcelo Castro, destacou o sucesso dessa política e os resultados alcançados. “No mundo inteiro, o Brasil é referência pelo que conseguiu no combate ao tabagismo. Esse número de 11% de fumantes quando já tivemos quase 40% é uma vitória que devemos comemorar, mas também devemos nos manter alertas para perseguir o controle desse vício nocivo à saúde da humanidade”, disse.

Nos dois dias anteriores à cerimônia, foi realizada uma oficina para analisar as principais conquistas e desafios enfrentados no período, assim como a construção de uma visão para o futuro. A secretária executiva da Convenção no Brasil, Tânia Cavalcante, citou os avanços neste âmbito com o aumento dos impostos, a proibição propaganda de fumar em recintos coletivos, bem como o tratamento para abandonar o fumo no Sistema Único de Saúde (SUS) e o programa de diversificação em áreas cultivadas com tabaco como avanços no setor. No entanto, chamou a atenção para a interferência do lobby da indústria do tabaco em todas as esferas do governo.