Moçambique: sobreviventes do Ciclone Idai começam retorno para áreas próximas de suas casas

Em Moçambique, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), o governo e outras organizações parceiras iniciaram a realocação de famílias deslocadas pelo Ciclone Idai para áreas mais próximas de suas casas. No último final de semana, 200 famílias deixaram os abrigos na cidade central da Beira. Nos próximos dez dias, cerca de 70 mil pessoas devem sair de centros de residência montados em meio à catástrofe do mês passado.

Moçambique começa a realocar vítimas do Ciclone Idai para comunidades próximas às suas residências originais. Foto: ACNUR/Alissa Everett

Moçambique começa a realocar vítimas do Ciclone Idai para comunidades próximas às suas residências originais. Foto: ACNUR/Alissa Everett

Em Moçambique, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), o governo e outras organizações parceiras iniciaram a realocação de famílias deslocadas pelo Ciclone Idai para áreas mais próximas de suas casas. No último final de semana, 200 famílias deixaram os abrigos na cidade central da Beira. Nos próximos dez dias, cerca de 70 mil pessoas devem sair de centros de residência montados em meio à catástrofe do mês passado.

O ACNUR lembra que escolas, salas comuns, bibliotecas e outros edifícios funcionaram como abrigos temporários para a população desalojada pela tempestade. Em Moçambique, o Idai matou cerca de 600 pessoas e deixou mais de 1,6 mil indivíduos feridos, segundo estimativas oficiais. Quase 240 mil casas foram danificadas e mais de 111 mil residências ficaram destruídas. O fenômeno climático também atingiu o Zimbábue e o Malauí.

As famílias que se mudaram no final de semana moravam no distrito de Buzi, o epicentro da devastação em Moçambique. Nessa localidade, o ciclone provocou destruição completa. Agora, as famílias foram transferidas para um centro em Guara Guara, a cerca de 55 quilômetros das comunidades onde viviam originalmente.

Guara Guara está situada numa região de altitude mais elevada. Até que os moçambicanos transferidos consigam voltar para as suas residências, a área vai oferecer um espaço adequado para que as famílias voltem às suas vidas normais.

O assentamento de realocação está equipado com água potável e banheiros. As famílias receberam tendas de emergência fornecidas pelo ACNUR e pela Agência do Governo de Moçambique para a Gestão de Desastres Naturais (INGC). As autoridades nacionais, com o apoio do Programa Mundial de Alimentos (PMA), estão disponibilizando alimentos no local, e a organização Médicos Sem Fronteira opera um centro de saúde para os moradores.

As famílias transferidas poderão ficar em Guara Guara por até três dias. Os moçambicanos receberão um terreno de 20 por 30 metros, além de ferramentas para construir suas novas casas e também sementes para iniciar a lavoura.

O ACNUR prevê ainda a entrega de itens básicos – mosquiteiros, lâmpadas solares, colchões, cobertores, utensílios de cozinha, galões e baldes – para a população realocada. A prioridade nas doações é dada aos idosos, pessoas com deficiência, mulheres solteiras e crianças desacompanhadas.

Em comunicado, o organismo da ONU afirmou que está trabalhando com outros parceiros para assegurar que os padrões internacionais de realocação sejam respeitados, incluindo os movimentos das populações — que devem ser sempre voluntários.

Com 1,8 milhão de pessoas precisando de assistência em Moçambique, organizações humanitárias enfrentam imensos desafios devido aos danos provocados na infraestrutura do país e ao baixo financiamento da resposta às necessidades dos cidadãos. Até o momento, agências conseguiram alcançar apenas 30% da população-alvo.