Mobilização de voluntários é importante para dar assistência a venezuelanos no Brasil, diz ONU

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Em entrevista ao Centro de Informação da ONU para o Brasil (UNIC Rio), o coordenador-executivo do Programa de Voluntários das Nações Unidas (UNV), Olivier Adam, afirmou durante visita ao país que “seria muito importante” levar voluntários para atender às necessidades de venezuelanos chegando ao território brasileiro.

Segundo o dirigente, que se reuniu com oficiais do governo ao longo da semana passada, a crise de refugiados é uma prioridade para as autoridades.

Voluntária com criança venezuelana no Centro de Referência ao Imigrante, em Boa Vista, Roraima. Foto: Rádio Nacional da Amazônia/Graziele Bezerra

Voluntária com criança venezuelana no Centro de Referência ao Imigrante, em Boa Vista, Roraima. Foto: Rádio Nacional da Amazônia/Graziele Bezerra

Em entrevista ao Centro de Informação da ONU para o Brasil (UNIC Rio), o coordenador-executivo do Programa de Voluntários das Nações Unidas (UNV), Olivier Adam, afirmou durante visita ao país que “seria muito importante” levar voluntários para atender às necessidades de venezuelanos chegando ao território brasileiro. Segundo o dirigente, que se reuniu com oficiais do governo ao longo da semana passada, a crise de refugiados é uma prioridade para as autoridades.

Entre outros compromissos oficiais, Adam participou de um encontro de gestores do programa Viva Voluntário, uma iniciativa lançada em agosto do ano passado pelo presidente Michel Temer. O projeto visa ampliar a prática do voluntariado no Brasil.

Na avaliação do dirigente da ONU, o país mostrou em anos recentes um compromisso global com a promoção do voluntariado. O Brasil foi uma das nações que apoiou a negociação de uma resolução da Assembleia Geral sobre a prática.

Aprovada em 2015, a medida cria um plano de ação para integrar os voluntários em esforços de paz e desenvolvimento de 2016 até 2030, período em que o mundo deverá cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Em 2014, o governo liberou 90 mil dólares em fundos para o UNV, com o intuito de fortalecer as iniciativas de conscientização e divulgação sobre voluntariado.

No entanto, segundo Adam, “o esforço internacional não está se traduzindo em políticas e legislações em nível nacional”.

“Somente no ano passado o Brasil criou o Viva Voluntário, que é um grande programa liderado pela Presidência e não foi (ainda) realmente operacionalizado”, afirmou. Atualmente, o UNV e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) estão apoiando as autoridades brasileiras na implementação do projeto.

“Há obviamente algumas prioridades para o governo, incluindo a inserção (em estratégias) da (crise da) Venezuela na parte norte do país, onde também seria importante trazer voluntários para apoiar esses esforços, mas também usar os próprios refugiados venezuelanos como voluntários”, acrescentou Adam.

Sobre a institucionalização do voluntariado em regulações, o dirigente elogiou o compromisso do Ministério da Casa Civil, que comunicou ao UNV a intenção de realizar reformas legislativas para estimular o engajamento de voluntários.

Voluntariado não deve ser considerado ‘luxo’ para os mais ricos

O chefe do UNV também defendeu que programas de voluntariado ofereçam algum tipo de remuneração, a fim de permitir aos voluntários arcar com os custos associados ao trabalho. “Se você tem voluntários trabalhando para você, você tem que lhes dar um mínimo, que seria como uma bolsa para alimentação ou moradia. Senão, você só atrai voluntários que já vêm de famílias ricas e, portanto, (isso) aumenta as desigualdades”, explicou.

De acordo com Adam, “o voluntariado é visto por muitas pessoas, especialmente no Brasil, como um ‘luxo'”.

“Elas simplesmente não têm tempo ou os recursos para gastar mais energia em algo que não vá lhes trazer alguma coisa em troca”, disse o especialista.

O dirigente afirmou ainda que o voluntariado deve ser encarado como uma “ferramenta de capacitação”, capaz de atrair a juventude e abordar questões associadas a empregabilidade.


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