Missões internacionais buscam melhores práticas para negócios de impacto social

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) promovem missões internacionais para conhecer experiências com o objetivo de impulsionar os negócios de impacto — empreendimentos com impacto socioeconômico positivos — no Brasil.

Além de estimular o conhecimento de outros ecossistemas de negócios de impacto, a iniciativa ajuda a identificar os principais atores do setor, os desafios dos empreendedores sociais e os mecanismos de apoio existentes.

Missões promovidas por PNUD e SEBRAE buscam melhores práticas internacionais para empreendimentos de impacto socioeconômico no Brasil. Foto: Arquivo Pessoal

Missões promovidas por PNUD e SEBRAE buscam melhores práticas internacionais para empreendimentos de impacto socioeconômico no Brasil. Foto: Arquivo Pessoal

O Brasil tem um ecossistema de negócios de impacto em expansão. São ao menos 579 empreendimentos em todo o país, focados em promover impacto social positivo, sem abrir mão da sustentabilidade financeira.

Apesar do objetivo comum, os atores são diversos: bancos internacionais de desenvolvimento, family offices, capital de risco tradicional, fundos de participações, empreendedores sociais, aceleradoras de negócio, incubadoras, entre outros. Para impulsionar esse ecossistema, é preciso trocar experiências consideradas como referência.

Esse é o objetivo das missões de “benchmarking”, ou seja, que buscam melhores práticas de desempenho empresarial, realizadas pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) e pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) no Brasil, em Portugal e no Reino Unido.

A primeira fase das atividades, realizada no fim de 2018, contou com apoio do governo federal e da EUROsociAL. Além de estimular o conhecimento de outros ecossistemas de negócios de impacto, as missões ajudaram a identificar os principais atores do setor, os desafios dos empreendedores sociais e os mecanismos de apoio existentes.

Representantes de PNUD, SEBRAE, Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (ANPROTEC), Instituto de Cidadania Empresarial (ICE) e governo federal participaram da troca de experiência, cuja segunda e última fase foi concluída em março de 2019. A gerente de parcerias para o setor privado do PNUD, Luciana Aguiar, explicou que as missões ajudam a identificar oportunidades, avançar contatos e identificar o que pode ser aplicado ao contexto brasileiro.

“Cada país se apropria dos negócios de impacto à sua própria maneira. É uma oportunidade de conhecer outras realidades, diferentes processos e avanços. Podemos conhecer mecanismos que não existem no Brasil e identificar formas de aperfeiçoar, a partir do aprendizado de outros países, diferentes estratégias para apoiar os negócios de impacto no país”, declarou.

Entre as organizações-modelo visitadas em Portugal, estavam Casa do Impacto, que abriga a Academia de Código e o SPEAK, dois dos mais bem-sucedidos projetos de empreendedorismo social em Portugal; Cozinha com Alma, empreendimento que apoia e capacita famílias com dificuldades financeiras temporárias; Agência de Empreendedores Sociais (SEA), cooperativa multissetorial criada em 2007 por um coletivo de empreendedores sociais; e a Câmara Municipal do Fundão, município responsável pelo Centro de Negócios e Serviços Partilhados (CNSP).

Já no Reino Unido, o intercâmbio se deu com a Impact Hub, comunidade de empreendedores de impacto; a organização Nesta, com foco em inovação social; a Hatch, aceleradora de empreendedores de comunidades; o National Lottery Community Fund, maior financiador comunitário no Reino Unido; o Connect Fund, criado para fortalecer o mercado de investimento de impacto na Inglaterra; a Ashley Community Housing (Ach), organização que promove serviços de integração para refugiados.

Outras iniciativas britânicas incluem o Resonance, fundo de investimento de impacto que oferece consultoria para que os negócios de impacto fiquem atrativos; o Engine Shed, centro de colaboração entre empresas, empresários, acadêmicos, inovadores sociais e corporações; a Social Finance UK, organização incubadora de projetos inovadores; a Clearlyso, organização que levanta capital para negócios de impacto; o Bridges Ventures, fundo de investimento de impacto; o Unltd, um dos principais apoiadores de empreendedores sociais no Reino Unido; o Zinc, que apoia empreendedores sociais com foco em resolver problemas da sociedade; e o Big Issue Invest, fundo de investimento de impacto.

O relatório do Global Entrepreneurship Monitor de 2016 indicou que 2,7% da população portuguesa em idade ativa é constituída por empreendedores sociais nascentes, e 2,5% lideram ou gerem uma iniciativa de missão social. Dentre esses, cerca de metade são iniciativas inovadoras.

No Reino Unido, onde o ecossistema de empreendedorismo social é considerado um dos pioneiros e mais avançados no mundo, estima-se que haja 471 mil empresas sociais, de acordo com dados do governo divulgados em 2017. O número representa aproximadamente 9% dos pequenos negócios do país, que são responsáveis por empregar 1,44 milhão de pessoas.


Comente

comentários