Missão da ONU no Sudão do Sul condena tiroteios nas proximidades de sua base em Bentiu

A situação de violência no país já levou mais de 250 mil sul-sudaneses a buscarem abrigo na Etiópia, que já é atualmente o maior país receptor de refugiados na África.

Uma família sul-sudanesa na Etiópia, país que recebe mais de 600 mil refugiados de vários países. Foto: ACNUR/P. Wiggers

Uma família sul-sudanesa na Etiópia, país que recebe mais de 600 mil refugiados de vários países. Foto: ACNUR/P. Wiggers

A Missão das Nações Unidas no Sudão do Sul (UNMISS) condenou nesta terça-feira (19) o tiroteio provocado por soldados do Exército Popular de Libertação do Sudão (EPLS) perto da base da Organização em Bentiu, que deixou uma criança ferida.

Segundo a missão, desde do complexo da ONU, que abriga milhares de pessoas deslocadas, foi possível escutar os disparos contínuos de cerca de 30 minutos realizados desde a pista de voo de Rubkona, ocupada por soldados do EPLS.

A Missão foi informada de que grupo “disparava para o alto, em comemoração ao dia dos veteranos de guerra”. No entanto, ao que tudo indica, muitos disparos foram feitos em direção à base da UNMISS, que encontrou nove balas dentro de acomodações e escritórios em áreas de proteção civil.

O incidente poderia ter deixado outros civis feridos, bem como funcionários da ONU. A Missão solicitou ao EPLS que se abstenha de celebrar datas comemorativas com armas de guerra nas proximidades de suas bases e instalações civis. Esse intimidação acontece dias após centenas de pessoas serem obrigadas a fugir para o aeroporto de Bentiu para encontrar abrigo, fugindo da violência no local.

Etiópia ultrapassa Quênia e se torna o país com maior população de refugiados na África

Enquanto isso, a Etiópia superou o Quênia como maior país receptor de refugiados na África, abrigando 629 mil pessoas desde o final de julho, anunciou a Agência das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) também nesta terça-feira (19).

“O principal fator para a mudança dessa situação é que o número de refugiados que fogem do conflito no sul do Sudão aumentou”, disse o porta-voz do ACNUR. O conflito, que eclodiu em meados de dezembro, fez com que cerca de 188 mil refugiados buscassem segurança na Etiópia desde o início de 2014. Os sul-sudaneses representam agora a maior população refugiada no país, totalizando 250 mil pessoas, seguidos de 15 mil eritreus e 3 mil somalis.

“O ACNUR, juntamente com o governo da Etiópia e outros parceiros, está fornecendo proteção e ajuda humanitária em 23 campos de refugiados e cinco locais de trânsito por, literalmente, todos os cantos do país”, disse Edwards.

Apesar dos contínuos esforços humanitários, a chuva forte na Etiópia continua a ser um desafio urgente, que não só deteriora a situação da água e saneamento, mas também apresenta riscos de inundação.