Missão da ONU na RD Congo expressa preocupação com novo conflito entre governo e rebeldes

“A missão relata que as desavenças evoluíram para o uso de armas de grosso calibre, morteiros e lançadores de foguetes”, disse um porta-voz das Nações Unidas. Combates ocorreram próximo à cidade de Goma.

Membro das forças de paz da ONU na RDC protegendo a cidade de Kibati. Foto: MONUSCO/Sylvain Liechti

Membro das forças de paz da ONU na RDC protegendo a cidade de Kibati. Foto: MONUSCO/Sylvain Liechti

A missão de paz da ONU na República Democrática do Congo (RDC) expressou preocupação nesta segunda-feira (20) com os novos confrontos entre os rebeldes do Movimento M23 e as forças armadas nacionais, na cidade de Goma.

De acordo com a Missão de Estabilização da ONU no país (MONUSCO), os combates eclodiram no início da manhã da própria segunda-feira em Kibati e Rusayo, a cerca de 12 quilômetros de Goma, capital da província de Kivu do Norte.

“A missão relata que as desavenças iniciais evoluíram para o uso de armas de grosso calibre, morteiros e lançadores de foguetes”, disse o porta-voz da ONU Eduardo del Buey a repórteres em Nova York. A MONUSCO acrescentou que, de acordo com relatos, as forças armadas congolesas (FARDC) usaram helicópteros de ataque em uma de suas operações.

“A missão exprimiu as suas preocupações sobre este incidente e está buscando ativamente uma solução diplomática e política para conter e acabar com os conflitos”, disse del Buey.

Em novembro do ano passado, o M23 — formado por ex-membros da FARDC que se rebelaram em abril de 2012 — ocupou Goma. Os confrontos entre o governo e os rebeldes deslocaram mais de 130 mil pessoas dentro e em torno da cidade e outras 47 mil fugiram para a província vizinha de Kivu do Sul. Em meio à condenação generalizada e apelo à sua retirada, os rebeldes saíram da cidade após 11 dias.

Os últimos confrontos aconteceram apenas algumas semanas após a enviada da ONU para a Região dos Grandes Lagos da África, Mary Robinson, informar que há sinais encorajadores para a paz permanente na RDC.

“Há uma nova chance de fazer mais do que apenas atender às consequências do conflito ou gerenciar crises como a de novembro do ano passado. Há uma chance de resolver suas causas subjacentes e pará-las para sempre”, disse ela em uma sessão fechada do Conselho de Segurança da ONU no início deste mês, por videoconferência.