Ministros das Américas reúnem-se em Genebra para discutir formas de atingir saúde universal

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Encorajados a debater formas de alcançar saúde para todos e assumir o compromisso com a cobertura universal, ministros e delegados das Américas compartilharam suas experiências no plenário da 71ª Assembleia Mundial da Saúde, que ocorre esta semana em Genebra, na Suíça.

Em seu discurso perante a Assembleia Mundial da Saúde, o ministro da Saúde do Brasil, Gilberto Occhi, falou sobre os desafios de gerir um sistema de saúde universal para os países em desenvolvimento. Afirmou que, por essa razão, o Brasil presta cooperação internacional em saúde como uma estratégia para promover o desenvolvimento sustentável.

Plenário da 71ª Assembleia Mundial da Saúde em Genebra, na Suíça. Foto: OMS

Plenário da 71ª Assembleia Mundial da Saúde em Genebra, na Suíça. Foto: OMS

Encorajados a debater formas de alcançar saúde para todos e assumir o compromisso com a cobertura universal, ministros e delegados das Américas compartilharam suas experiências no plenário da 71ª Assembleia Mundial da Saúde, que ocorre esta semana em Genebra, na Suíça.

No total, mais de 25 delegações das Américas discursaram no plenário. Na abertura da assembleia, na segunda-feira (21), Canadá, Cuba, Argentina, Honduras, Curaçao e Equador fizeram apresentações. Leia, a seguir, um resumo das apresentações de outros países da região.

Brasil: cooperação internacional para fortalecer sistemas de saúde

Em seu discurso perante a Assembleia Mundial da Saúde, o ministro da Saúde, Gilberto Occhi, falou sobre os desafios de gerir um sistema de saúde universal para os países em desenvolvimento. Afirmou que, por essa razão, o Brasil presta cooperação internacional em saúde como uma estratégia para promover o desenvolvimento sustentável.

Occhi também destacou que o Brasil tem enfrentado um surto de sarampo na fronteira norte, além do de febre amarela, de forma coordenada com a Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS). “Em parceria com os países vizinhos da América do Sul, estamos intensificando as ações de vigilância epidemiológica e fortalecendo o cuidado nas regiões fronteiriças.”

O ministro também disse que não há saúde universal sem acesso a medicamentos, vacinas, tecnologias e serviços de saúde. Por isso, o governo brasileiro anunciou uma doação voluntária à OMS para promover o acesso a medicamentos e vacinas. Assista aqui ao discurso.

México: saúde não é uma mercadoria; mercado não deve decidir rumos

O secretário da Saúde do México, José Robles, abordou as desigualdades que atentam contra a saúde. “Vivemos em um mundo de contrastes e o principal desafio para a humanidade é reduzir as desigualdades, incluindo no acesso aos serviços de saúde”, argumentou.

Robles enfatizou que a saúde é um direito humano, mas que os indivíduos também têm responsabilidade em, por exemplo, abordar fatores de risco para doenças crônicas não transmissíveis. Disse ainda que alguns “inimigos” da saúde são modificáveis por meio de uma população informada e com acesso aos serviços. “A saúde não é uma mercadoria e o mercado não deve decidir o rumo de sua atenção.” Assista aqui ao discurso.

Costa Rica: considerar a saúde em todas as políticas

A embaixadora da Costa Rica, Elayne Whyte, explicou ante às Nações Unidas o processo que o país vive, há décadas, para alcançar a cobertura universal em saúde e descreveu o impacto disso em relação ao aumento da expectativa de vida. Nesse sentido, ela afirmou que “é indispensável considerar a saúde em todas as políticas”.

Whyte disse que a Costa Rica é consciente dos grandes desafios que ainda enfrenta para garantir o caminho rumo à saúde universal. Na ocasião, pediu por mecanismos de coordenação em nível global para que o compartilhamento de informações sobre boas práticas flua em todo o mundo. Assista aqui ao discurso.

EUA: compromisso em doar US$ 7 mi à OMS para resposta ao surto de ebola

O secretário de Saúde e Serviços Humanos dos EUA, Alex M. Azar, pontuou que o trabalho da OMS deve ter como prioridade as doenças infecciosas que podem cruzar fronteiras. “Estamos mais bem preparados, em parte, porque os Estados Unidos investem generosamente em prevenção, tanto dentro do país como no exterior”.

Azar adicionou que a OMS deve continuar fortalecendo sua coordenação para atender as emergências mundiais. Ele citou o atual surto de ebola no Congo para ilustrar que a OMS deve se concentrar em sua função mais essencial. Anunciou também que o país doará 7 milhões de dólares para a resposta ao surto, além da assistência que já está sendo oferecida por meio de profissionais. Assista aqui ao discurso.

Jamaica: atenção primária é a chave para alcançar saúde universal

O ministro da Saúde da Jamaica, Christopher Tufton, afirmou que é necessária uma visão inovadora na abordagem dos desafios para alcançar a cobertura universal em saúde. Ele enfatizou que o país acredita firmemente que a atenção primária é a chave para alcançar a saúde universal e que o foco deve estar na prevenção e na saúde com base comunitária. Tufton enumerou as medidas adotadas pela Jamaica, incluindo um plano estratégico de dez anos para a formação de um seguro de saúde nacional.

Tufton também expressou sua satisfação pela integração do impacto da mudança climática na saúde no programa de trabalho da OMS, já que essa é uma questão que afeta sua região. Ele atentou os países para a escassez dos profissionais de saúde, em particular enfermeiras e enfermeiros, o que constitui um desafio para alcançar a saúde universal. Assista aqui ao discurso.

Uruguai: saúde universal implica decisões que envolvem outros setores

O ministro da Saúde do Uruguai, Jorge Basso, afirmou que seu país vem implementando uma série de políticas públicas para assegurar a saúde universal. Entre elas, destacam-se a Reforma da Saúde, o Sistema Nacional de Cuidados e as melhoras no sistema educativo, “que junto a uma política econômica que tem gerado estabilidade, emprego e investimento, têm permitido que a sociedade uruguaia se beneficie com um crescimento econômico contínuo de 14 anos”.

“O grande desafio que o país enfrenta é aprofundar e melhorar a qualidade dessas políticas para alcançar o maior impacto possível e tornar sustentável nosso processo de desenvolvimento”, disse.

O ministro lembrou também que o presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, está impulsionando, junto a autoridades da Finlândia e da Rússia, uma iniciativa promovida pelo diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, para que os países adotem as decisões políticas necessárias para diminuir a carga de mortes prematuras por doenças crônicas não transmissíveis.

Espera-se que o resultado desse trabalho, disse Basso, culmine em um “uma contribuição substancial e que na reunião das Nações Unidas, em Nova Iorque, a liderança política se renove para avançar decididamente na prevenção e controle dessas doenças, dando sinais claros de que há prioridades na área da saúde que estão acima de qualquer outro interesse”. Assista aqui ao discurso.

Peru: saúde universal com base em equidade e solidariedade

A ministra da Saúde do Peru, Silvia Pessah Eljay, explicou que a cobertura universal em saúde não é suficiente e que se requere a oferta e a prestação de serviços de qualidade. Nesse sentido, o país tem trabalhado para promover um sistema integral e acessível, que prioriza as pessoas mais vulneráveis.

Silvia indicou que o país ainda está trabalhando para preencher as lacunas que impedem alcançar todas as pessoas “com base em equidade e solidariedade” – por meio de seguros de saúde personalizados em redes para que os serviços sejam complementados. O país também trabalha para fechar as brechas de financiamento à cobertura universal de saúde. Assista aqui ao discurso.

Colômbia: novos desafios em segurança sanitária

Em seu discurso na Assembleia Mundial da Saúde, a embaixadora da Colômbia em Genebra, Beatriz Londoño, destacou o caminho percorrido por cada país para a implementação da saúde universal com um plano único de benefícios para os cidadãos, acesso equitativo aos medicamentos e um novo modelo de atenção à saúde, que inclui a implementação dos compromissos incluídos nos acordos de paz do país.

Londoño também citou os “novos desafios para a segurança da saúde”, como os recentes surtos de sarampo, difteria e febre amarela na região. A embaixadora explicou que seu país estava recebendo um alto fluxo de migrantes venezuelanos e descreveu os cuidados de saúde prestados a essa população. Afirmou também que é necessário “avançar em uma resposta regional, na cooperação internacional” para responder de forma integral a essa situação”. Assista aqui ao discurso.

Venezuela: medidas para enfrentar os atuais desafios

A vice-ministra da Saúde da Venezuela, Indhriana Parada, afirmou que, nos últimos 20 anos, o país passou de um sistema de saúde assistencial para um sistema de saúde integral, equitativo e participativo, que presta atendimento gratuito a toda sua população.

Indhriana explicou que, em 2017, após a introdução da difteria e do sarampo no país, um amplo plano de vacinação para conter os surtos foi desenvolvido com o apoio da OPAS/OMS e de equipes formadas por médicos cubanos.

Ela afirmou também que o país assume 100% dos custos com medicamentos e os produz, mas enfrenta um bloqueio econômico que o impede de acessar outros medicamentos e vacinas. A vice-ministra ressaltou que está investindo em ações para prevenir a malária, entre outros pontos. Assista aqui ao discurso.

Panamá: reduzir a carga das “doenças de transmissão social”

O ministro da Saúde do Panamá, Miguel Mayo Di Bello, assegurou que o país está comprometido a superar as barreiras que impedem a cobertura universal, como a pobreza e a exclusão social.

Nesse sentido, a reforma da saúde que está sendo implementada aborda políticas como a melhoria da oferta de água e serviços de saneamento básico, fortalecimento da atenção primária à saúde e maior capacitação em recursos humanos.

Também procura reduzir o ônus das doenças crônicas não transmissíveis, “ou doenças de transmissão social, onde o controle dos fatores de risco também é uma prioridade nacional”. Ele disse também que está trabalhando em relação aos impostos para bebidas açucaradas e rotulagem adequada de alimentos, entre outros.

Mayo mencionou a Agenda de Saúde 2030 como um guia para desenvolver planos de saúde rumo ao futuro. Assista aqui ao discurso.

Chile: o envelhecimento é um desafio ao sistema de saúde

O Chile avançou em direção a um sistema solidário e eficiente de saúde nos últimos 10 anos, mas que agora enfrenta o desafio do envelhecimento da população – o que supõe novos caminhos para o sistema de saúde ao longo do tempo, argumentou a subsecretária da Saúde do Chile, Paula Daza.

“Noventa por cento das pessoas idosas atualmente é atendida no sistema público de saúde, por isso estamos trabalhando com o curso de vida para desenvolver políticas de prevenção”, disse. Daza garantiu que promover a saúde da população é uma prioridade do governo de seu país.

Além disso, ela comentou em seu discurso as medidas adotadas para a redução do risco em desastres naturais, em coordenação com a OPAS, com o intuito de fortalecer as capacidades em emergências do país. Assista aqui ao discurso.

El Salvador: rompendo as barreiras para alcançar a saúde universal

“A saúde universal é a oportunidade que milhões de pessoas historicamente excluídas têm de seu direito à saúde. Para elas, estamos quebrando as barreiras econômicas, geográficas, tecnológicas e culturais”, disse a ministra da Saúde de El Salvador, Violeta Menjívar, que descreveu em detalhes as ações tomadas pelo governo.

A ministra destacou que o número de estabelecimentos de atenção primária dobrou, esforços foram feitos para aumentar a densidade de recursos humanos em áreas rurais mais remotas e a participação social da comunidade foi promovida como a base do modelo de saúde. Afirmou também que seus objetivos, de acordo com as particularidades do país, estão alinhados aos da OMS. Ela ainda agradeceu à OPAS pelo apoio a todas essas reformas. Assista aqui ao discurso.

Guatemala: o trabalho intersetorial levará à cobertura universal de saúde

O ministro da Saúde da Guatemala, Carlos Soto, falou sobre os desafios que o país enfrenta em termos de saúde e explicou o que está sendo feito para que eles sejam superados. “O governo definiu a saúde como uma prioridade. Nosso compromisso é de que todos os guatemaltecos tenham acesso à saúde; esse é o eixo estratégico da reforma de saúde”, disse.

“Na Guatemala, nossos desafios são grandes, mas estamos convencidos de que o trabalho intersetorial trará cobertura universal de saúde”, assegurou. Assista aqui ao discurso.


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