Ministra dos Direitos Humanos diz que objetivo do Brasil é erradicar violência contra mulheres

A ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, participa na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, da 63ª Sessão da Comissão sobre o Estatuto da Mulher (CSW63). Foto: ONU News

A ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, participa na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, da 63ª Sessão da Comissão sobre o Estatuto da Mulher (CSW63), que ocorre até 22 de março com foco em temas de proteção social, acesso a serviços públicos e infraestrutura sustentável para mulheres e meninas do mundo todo.

Em entrevista à ONU News, a ministra afirmou que o combate à violência contra a mulher é um objetivo definido no Brasil. Segundo dados da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), o país lidera a taxa de feminicídios entre 23 países da região. Em 2017, foram confirmadas 1.333 vítimas.

“Estamos neste momento tentando fazer esse diagnóstico. No primeiro momento, a gente pode dizer que o aumento da violência contra a mulher ou a não redução, porque hoje nós podemos estar no aumento, mas a não redução se passa pelo enfraquecimento das redes de proteção à mulher no Brasil. Se esta rede for fortalecida, e se ela estiver bem articulada e muito bem localizada, acreditamos que a gente pode ter aí resultados positivos.”

Para a ministra, deve haver reforço e coesão de uma série de serviços envolvendo setores de polícia, Justiça e segurança para proteção das mulheres.

O tema fez parte dos vários contatos que o Brasil já estabeleceu na CSW63 com representantes de México e França, países em que, segundo a ministra, o assunto também é alvo de grande preocupação.

“O tema violência contra a mulher é um tema global. Não é um desafio apenas do Brasil. A gente observa as modalidades de violência diferentes de um país para o outro.”

O Brasil definiu como uma das prioridades chegar a mulheres longe dos centros urbanos, onde as políticas públicas não alcançam muitas pessoas em situação de vulnerabilidade.

“A mulher indígena, a mulher cigana, a mulher quilombola, a mulher pescadora, a mulher seringueira, a mulher da área ribeirinha. Nós temos no Brasil os povos indígenas que todo o mundo conhece e nós temos mais de 30 povos tradicionais. O presidente está querendo focar em mulheres tradicionais. Algumas em que as políticas públicas nunca chegaram até a elas. Temos cidades da Amazônia onde para chegar você tem se sair oito dias de barco e oito dias para voltar. Você consegue imaginar uma mulher longe que não tem atendimento.”

A ministra disse que se por um lado há interesse de dar maior protagonismo à mulher do país em áreas de desenvolvimento, por outro a proteção da menina é um dos focos de sua equipe.

“Um relatório de 2016 aponta que o Brasil é o pior país da América do Sul para se criar meninas e isso nos entristece. Nós vamos virar esse quadro. Nós estamos buscando inúmeras alternativas de proteção. Nós vamos voltar aqui, nós vamos voltar nessa comissão para dizer que somos uma das maiores nações do mundo para se criar meninas.”

O Brasil também vai participar de encontros bilaterais e multilaterais que incluem países lusófonos com os quais a ministra disse haver interesse em cooperar em temas de empoderamento feminino.