OMS e Ministério da Saúde homenageiam Ciro de Quadros, líder na erradicação da poliomielite no mundo

O médico gaúcho desempenhou um papel-chave no desenvolvimento do Plano Global de Ação em Vacinas da OMS e evitou milhões de mortes através do acesso mais equitativo à vacinação.

Ciro de Quadros é o 24° homenageado da Galeria de Honra dos Sanitaristas do Ministério da Saúde. Foto: OPAS/OMS

Ciro de Quadros é o 24° homenageado da Galeria de Honra dos Sanitaristas do Ministério da Saúde. Foto: OPAS/OMS

Desde a última quinta-feira (30), a Galeria de Honra dos Sanitaristas do Ministério da Saúde conta com a imagem de um novo homenageado. Trata-se de Ciro de Quadros, pioneiro no setor de saúde brasileiro e falecido no último mês de maio. Quadros ajudou a acelerar o uso de vacinas para salvar vidas e eliminar doenças nas Américas e no mundo. Sua imagem agora integra a 24ª posição dos homenageados da Galeria, ao lado de outros importantes médicos e sanitaristas, como Gilson Carvalho, Zilda Arns, Sérgio Arouca e Oswaldo Cruz.

Quadros desempenhou um papel fundamental na erradicação da poliomielite mundial e da varíola no Brasil e na Etiópia, e teve um papel de liderança no trabalho de imunização da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS) e, mais tarde, no Instituto de Vacinas Sabin.

O médico epidemiologista liderou a criação em 1979 do Fundo Rotatório da OPAS para a Compra de Vacinas para consolidar a demanda dos países por vacinas e outros suprimentos e obter economias de escala e preços mais baixos. Além disso, desempenhou um papel-chave no desenvolvimento e implementação do Plano Global de Ação em Vacinas, um marco de referência para evitar milhões de mortes através do acesso mais equitativo a vacinas existentes para todas as comunidades. O plano foi aprovado em maio de 2012 pelos 194 Estados-Membros da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Quadros nasceu em 1940 em Rio Pardo, Rio Grande do Sul. Integrou a primeira turma da Faculdade Católica de Medicina – a atual Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre –, formando-se em 1966. Trabalhou com saúde comunitária em regiões pobres do Brasil e participou da criação do primeiro Centro Nacional de Epidemiologia. A convite da OMS, assumiu a chefia do programa de erradicação da varíola na Etiópia, onde atuou entre 1971 e 1976. Em 1977, começou a trabalhar na sede da OPAS em Washington D.C.

O médico gaúcho trabalhava como vice-presidente executivo do Instituto de Vacinas Sabin, onde por mais de uma década liderou os esforços de advocacia para incentivar países de renda baixa e média a priorizar e manter o financiamento dos programas de vacinação.

Ele morreu em casa no dia 28 de maio, em Washington, D.C., nos Estados Unidos, aos 74 anos. Apenas cinco semanas antes ele foi nomeado “Herói das de Saúde Pública das Américas”, em reconhecimento à sua extraordinária liderança em saúde pública.

Assista à entrevista de Quadros sobre sua trajetória na saúde pública (em espanhol)