Milhares se abrigam em clínicas em Trípoli; confrontos recentes já deixaram mais de 260 mortos

Antigo Parlamento em Trípoli, na Líbia. Foto: UNOCHA/Giles Clarke

Três semanas após o começo de conflitos perto da capital líbia, Trípoli, a agência de saúde das Nações Unidas alertou neste mês (23) que um grande número de pessoas está se abrigando em clínicas médicas, enquanto civis continuam sendo mortos e feridos. Segundo dados mais recentes, 264 pessoas foram mortas e 1.266 ficaram feridas.

De acordo como porta-voz da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tarik Jasarevic, 21 civis morreram e 69 ficaram feridos desde 5 de abril.

O líder das Forças Armadas da Líbia (LNA), Khalifa Haftar, que controlam grande parte do leste e do sul da Líbia, tem travado uma campanha militar de duas semanas para retomar Trípoli de combatentes leais ao governo reconhecido pelas Nações Unidas.

Migrantes e refugiados ‘ainda presos em centros de detenção perto de confrontos’

Ecoando estes temores, o porta-voz da Agência Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), Babar Baloch, pediu acesso humanitário para milhares de refugiados e migrantes que podem estar presos em centros de detenção administrados pelo Estado ao sul da capital.

“Nossa preocupação é com cerca de 6 mil que ainda permanecem em algumas localizações de detenção”, disse Baloch. Além disso, há preocupação imediata com “cerca de 3.600 refugiados que estão atualmente presos em alguns dos centros de detenção que são bem próximos de onde confrontos estão acontecendo agora”.

Nas últimas duas semanas, o ACNUR transferiu 541 refugiados vulneráveis dos centros de detenção de Ain Zara, Qasr Bin Ghashir, Abu Selim e Janzour para um local seguro na região central de Trípoli.

Apesar dos confrontos e dos problemas de acesso, a agência da ONU retirou mais de 160 refugiados da Líbia para o Níger na semana passada, afirmou Baloch.

Para responder às crescentes necessidades – de cerca de 32 mil pessoas deslocadas pela violência – a OMS está recrutando mais equipes médicas especializadas em emergência para serem enviadas a hospitais em Trípoli.

Onze ambulâncias danificadas por confrontos

Além disso, a agência da ONU também está equipando quatro novas instalações primárias de saúde com medicamentos e equipamentos essenciais para ajudar famílias vulneráveis.

“Funcionários da ONU estão visitando clínicas de saúde em áreas onde um grande número de pessoas deslocadas está se abrigando, para garantir que estas instalações de saúde tenham o que precisam para tratar os deslocados”, disse o porta-voz da OMS, Jasarevic.

Ele destacou que 11 ambulâncias foram danificadas até o momento por conta de confrontos, em uma violação da lei humanitária internacional.

Em meio ao rápido aumento de necessidades na Líbia causado por ações militares e falta de garantias de segurança, o braço de coordenação humanitária da ONU, OCHA, pediu maior apoio internacional.

“A comunidade humanitária pede urgentemente 10,2 milhões de dólares para continuar seus trabalhos para ajudar pessoas afetadas pelo conflito na Líbia”, afirmou o OCHA em comunicado. Apenas 6% do total foram recebidos.