Milhares fogem para Uganda após escalada da violência no Sudão do Sul

ACNUR relata aumento do número de refugiados do Sudão do Sul após novos conflitos que resultaram em mais de 300 mortes. Armazém da ONU foi saqueado no dia 14 de julho e um trabalhador humanitário foi morto no último mês.

Refugiado sul-sudanês carrega seus pertences para um caminhão do ACNUR na fronteira do Sudão do Sul com Uganda. Foto: ACNUR/Will Swanson

Refugiado sul-sudanês carrega seus pertences para um caminhão do ACNUR na fronteira do Sudão do Sul com Uganda. Foto: ACNUR/Will Swanson

Segundo a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), mais de 5 mil pessoas chegaram a Uganda desde que a violência recomeçou no Sudão do Sul, no dia 7 de julho. Foram cerca de 2.950 pessoas que cruzaram a fronteira no último final de semana, sendo a maioria mulheres e pessoas menores de 18 anos.

A agência da ONU espera que este número aumente após a liberação de inspeções nas estradas entre a capital sul-sudanesa, Juba, e Uganda.

“As pessoas chegam a Uganda cansadas e famintas. Muitas delas andaram por dias carregando seus pertences. Outras estão sofrendo de subnutrição após dias de caminhada sem comida”, disse o porta-voz do ACNUR, Leo Dobbs.

De acordo com relatos, a violência em Juba resultou em pelo menos 300 mortes, além de causar a fuga de mais de 10 mil pessoas e a evacuação de pessoal por diversos países.

No dia 14 de julho, um armazém administrado pelo Programa Mundial de Alimentos da ONU (PMA), contendo suprimento mensal para 220 mil pessoas, foi saqueado e destruído. Dobbs condenou os ataques violentos contra trabalhadores humanitários, que deixaram uma pessoa morta.

A Missão da ONU no país (UNMISS) relatou que a situação continua tensa, e pediu às partes que mantenham suas responsabilidades em proteger os civis – inclusive os trabalhadores da ONU.

A UNMISS recebeu relatos de violência sexual contra civis, nas proximidades da Casa da ONU na capital, praticada por soldados uniformizados. A Missão também solicitou a libertação imediata do jornalista Alfred Taban e proteção à liberdade de expressão.

O Sudão do Sul – que neste mês marcou o seu quinto aniversário desde que se tornou independente do Sudão – passou grande parte de sua curta vida em guerra interna, dividido por uma disputa política entre o presidente Salva Kiir e seu então ex-vice-presidente Riek Machar.

Cerca de 2,4 milhões de pessoas fugiram de suas casas com medo, antes de um acordo de paz em agosto de 2015, que terminou com as grandes ofensivas que eclodiram no final de 2013.

Apesar do acordo de paz, conflitos e instabilidade se espalharam para áreas anteriormente não afetadas. No mês passado, confrontos em Wau resultaram na morte de mais de 40 pessoas, enquanto que outras 35 mil fugiram de suas casas.