Milhares fogem de conflitos no leste da República Democrática do Congo

Há mais de seis meses, grupos armados tem sido os responsáveis por assassinatos, estupros e sequestros que já forçaram mais de 300 mil pessoas a abandonar seus lares na República Democrática do Congo.

As comunidades locais são acolhedoras, mas seus hospitais e escolas estão sobrecarregados. Cerca de 16 mil pessoas deslocadas internamente, principalmente mulheres e crianças, chegaram à cidade de Drodro nos últimos meses. O relato é da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).

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Em junho, homens armados atacaram a vila de Francine na província de Ituri, no Congo. Ela fugiu com o marido, dois filhos e dois sobrinhos após a morte da irmã.

“Fugi com minha família no meio da noite. Não sabíamos para onde estávamos indo, mas pelo menos conseguimos nos salvar”, diz.

Francine chegou à cidade de Drodro e encontrou abrigo em uma antiga igreja, transformada em um grande dormitório. Outras 740 famílias moram no local que está lotado. Às vezes, algumas famílias dormem do lado de fora.

Mais tarde, Francine foi transferida para uma instalação temporária mais ampla. “Sinto-me mais segura agora, pois tenho mais privacidade e um pouco de conforto”, diz a jovem de 24 anos.

Há seis meses, grupos armados tem sido os responsáveis por assassinatos, estupros e sequestros que já forçaram mais de 300 mil pessoas a abandonar seus lares.

As comunidades locais são acolhedoras, mas seus hospitais e escolas estão sobrecarregados. Cerca de 16 mil pessoas deslocadas internamente, principalmente mulheres e crianças, chegaram a Drodro nos últimos meses.

Assim como Francine, Denise, de 22 anos, também fugiu de sua vila em junho, quando homens armados atacaram. “Eles vieram de manhã cedo. Todos entraram em pânico e fugiram”, lembra. “Desde então, não tenho notícias do meu marido ou da minha família.”

Ela reza todos os dias para que eles estejam seguros. Grávida antes de fugir, ela deu à luz em um abrigo improvisado. Sua filha chama-se Chance, que em inglês significa sorte. Mais tarde, Denise se mudou para um abrigo comunitário criado pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).

O ACNUR expressou grande preocupação pelas terríveis condições de vida enfrentadas pelas pessoas deslocados e intensificou sua resposta à crescente crise. Abrigos de emergência foram construídos para ajudar a manter as pessoas em segurança. Itens básicos como cobertores e sabão em pó, além de itens para higiene pessoal de mulheres e meninas, também foram distribuídos.

O ACNUR precisa de 150 milhões de dólares para responder às necessidades de refugiados e deslocados na República Democrática do Congo este ano, mas até agora apenas 57% foram recebidos. A escassez de fundos está afetando gravemente a capacidade das pessoas deslocadas de suprir suas próprias necessidades e os esforços básicos para torná-las autossuficientes.

Sendralahatra Rakontondradalo, especialista em abrigos do ACNUR, testemunhou as terríveis condições quando as pessoas chegaram a Drodro sem nada.

Condições inadequadas expõem as pessoas a assédio, agressão e exploração.

“Ouvi falar de algumas meninas e mulheres que se veem forçadas a fazer sexo para alimentar suas famílias. Locais superlotados têm privacidade limitada, aumentando ainda mais esse risco”, diz.

Liz Ahua, representante do ACNUR no país, afirma que o número de pessoas deslocadas está aumentando. “Milhares de pessoas deslocadas querem voltar para casa, mas precisam esperar até que seja mais seguro”, enfatiza.