Michelle Bachelet defende fim das desigualdades salariais entre homens e mulheres

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Na abertura do IV Fórum Global de Empresas pela Igualdade de Gênero, a presidenta do Chile, Michelle Bachelet, também criticou o fato de que a população do sexo feminino continua sendo a mais responsável pelo cuidado da casa e da família, um desequilíbrio que sobrecarrega as mulheres.

Evento em Santiago conta com a participação de especialistas da ONU Mulheres Brasil e representantes da Schneider Electric, Banco do Brasil, O Boticário e PWC, que representam o setor privado brasileiro.

Presidente do Chile Michelle Bachelet participou da abertura de fórum global da ONU sobre empresas e igualdade de gênero. Foto: Presidência do Chile

Presidente do Chile Michelle Bachelet participou da abertura de fórum global da ONU sobre empresas e igualdade de gênero. Foto: Presidência do Chile

Na abertura do IV Fórum Global de Empresas pela Igualdade de Gênero, a presidenta do Chile, Michelle Bachelet, defendeu na terça-feira (27), em Santiago, a participação das mulheres no mercado de trabalho e o fim das diferenças salariais entre elas e os homens. A chefe de Estado também criticou o fato de que a população do sexo feminino continua sendo a mais responsável pelo cuidado da casa e da família, um desequilíbrio que sobrecarrega as mulheres.

“Mulheres continuam a dedicar 2,6 vezes mais tempo ao trabalho doméstico e de cuidados não remunerados do que os homens”, afirmou Bachelet. O Chile tem buscado a igualdade de gênero por meio de “uma aliança público-privada que busca, até 2020, aumentar a participação laboral das mulheres, reduzir as lacunas salariais de gênero e diminuir as barreiras para a ascensão das mulheres”.

Também presente, a diretora da Divisão de Programas da ONU Mulheres, Maria Noel Vaeza, pediu políticas afirmativas para acelerar as mudanças em prol da equidade entre homens e mulheres no setor privado. Atualmente, o país sul-americano tem uma cota de 40% para mulheres ocuparem postos de liderança em empresas estatais.

George Molina, economista-chefe do escritório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) para a América Latina e o Caribe, ressaltou que, mesmo num cenário futuro de crescimento econômico, a segregação ocupacional segue como um problema e demanda ações específicas.

O diretor do PNUD para América Latina e Caribe, Richard Barathe, ressaltou que a igualdade para mulheres no mercado de trabalho pode trazer até 28 trilhões de dólares para a econômica global até 2025, de acordo com um relatório do McKinsey Global Institute. Mas os desafios são grandes: menos da metade das mulheres têm empregos assalariados fora de casa, em comparação a 77% dos homens.

Além disso, as mulheres ganham, em média, 23% menos que os homens. Mulheres também contam com uma carga desproporcional de trabalho doméstico não remunerado, a qual as impede de encontrar oportunidades para ter uma renda própria, começar um negócio ou participar da vida pública.

Empresas brasileiras no fórum

As empresas Schneider Electric, Banco do Brasil, O Boticário e PWC representam o setor privado brasileiro na conferência. As três companhias estão entre as 157 signatárias brasileiras dos Princípios de Empoderamento das Mulheres, uma iniciativa da ONU Mulheres e do Pacto Global.

Também na terça-feira (27), a presidenta da Schneider Electric para América Latina, Tânia Cosentino, participou de um painel sobre diferenças salariais motivadas por questões de gênero. A dirigente lembrou que apenas 20% da mão de obra do setor de energia é formada por mulheres. Nesse segmento da indústria, as disparidades médias de salário entre elas e os homens são de 31%.

“Diversidade é um bom negócio, é bom para as economias e empresas ter um quadro 50-50. Como faz para solucionar isso? Conscientização, compromisso e metas na alta liderança”, afirmou Tânia.

A Schneider Electric aderiu ao movimento ElesPorElas (HeForShe, no original em inglês) e assumiu o compromisso em ter, no futuro, 30% de mulheres em cargos executivos. Outra meta é eliminar completamente as diferenças salariais.

“A igualdade é uma questão econômica e de sobrevivência das empresas, tem que estar na agenda do ou da nº 1 das empresas por meio de indicadores e metas de transformação em favor do empoderamento das mulheres”, acrescentou Tânia.

Na avaliação da representante da ONU Mulheres no Brasil, Nadine Gasman, que também participa do fórum, as corporações do país “estão atentas para as mudanças na economia e afirmam o seu compromisso em tirar as mulheres das margens para o centro da sua atuação”.

A participação das empresas brasileiras no evento, completou a dirigente, “amplia a rede do setor privado comprometida com os direitos humanos das mulheres e o alcance da igualdade de gênero”.

Ainda no primeiro dia de fórum, Renato Amendôla, coordenador de Diversidade do Boticário, participou de debate sobre o equilíbrio entre vida profissional e familiar. O especialista apresentou dados da pesquisa Precisamos falar com os homens? Uma jornada pela igualdade de gênero, realizada em parceria com a ONU Mulheres no Brasil.

No segundo dia, a diretora regional da ONU Mulheres para Américas e Caribe, Luiza Carvalho, fará uma apresentação sobre a estratégia de empoderamento econômico das mulheres na região. Entre as empresas brasileiras, a PWC participará de sessão sobre gestão da diversidade, evento que terá uma apresentação da Fundação Avon Argentina. O Banco do Brasil participará de encontro sobre soluções para eliminar as diferenças salariais.

O evento em Santiago é organizado pelo governo chileno, o PNUD, a ONU Mulheres e a Organização Internacional do Trabalho (OIT).


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