Mianmar: relatora especial da ONU alerta para violência contra manifestantes de etnia Karenni

Uma relatora especial das Nações Unidas lamentou na terça-feira (12) a violenta resposta policial a protestos em Mianmar contra uma estátua do general Aung San, importante figura da independência do país.

“Este é mais um exemplo de marginalização dos direitos de minorias étnicas e do fracasso do governo em fazer verdadeiramente o que é necessário para unir o país e gerar paz e democracia”, disse Yanghee Lee, relatora especial das Nações Unidas sobre a situação dos direitos humanos em Mianmar.

Yanghee Lee, relatora especial da ONU para a situação dos direitos humanos em Mianmar. Foto: ONU/Kim Haughton

Yanghee Lee, relatora especial da ONU para a situação dos direitos humanos em Mianmar. Foto: ONU/Kim Haughton

Uma relatora especial das Nações Unidas lamentou na terça-feira (12) a violenta resposta policial a protestos em Mianmar contra uma estátua do general Aung San, importante figura da independência do país.

“Este é mais um exemplo de marginalização dos direitos de minorias étnicas e do fracasso do governo em fazer verdadeiramente o que é necessário para unir o país e gerar paz e democracia”, disse Yanghee Lee, relatora especial das Nações Unidas sobre a situação dos direitos humanos em Mianmar.

A polícia disparou balas de borracha e usou cassetetes e canhões de água, ferindo até 15 manifestantes em Loikaw, capital do estado de Kayah e lar da minoria étnica Karenni.

O pacto de 12 de fevereiro de 1947, que prometeu autonomia para minorias étnicas em Mianmar, completou 72 anos na terça-feira. Milhares de pessoas haviam se reunido para protestar contra a instalação de uma estátua do general Aung San, arquiteto do pacto.

“O governo de Mianmar deve respeitar o direito de todas as pessoas de se reunirem pacificamente e expressarem suas opiniões sobre questões que preocupam a todos”, disse Lee. “Usar força desproporcional contra manifestantes pacíficos é inteiramente inaceitável. As prisões devem acabar”.

Ativistas locais relataram que ao menos 60 manifestantes foram presos desde o início de fevereiro e acusados sob a Lei de Assembleia Pacífica. Milhares de Karenni tomaram as ruas para protestar contra a estátua, erguida durante a noite no final de janeiro, dizendo que a escultura é um sinal de domínio do governo central, que vai contra esforços de paz e reconciliação.

Quatorze manifestantes presos durante uma manifestação contra a estátua em 3 de julho de 2018 foram acusados sob seções da lei. Nove deles também foram acusados de difamação criminosa por conta de uma carta distribuída a manifestantes.

O general Aung San é pai de Aung San Suu Kyi, conselheira de Estado e líder de facto de Mianmar. Ele contribuiu para o país alcançar independência e assinou o Acordo de Panglong com os grupos étnicos minoritários Kachin, Chin e Shan, em 1947. O acordo prometia uma união federal e autonomia étnica em Mianmar.

O general Aung San foi assassinado pouco depois e o país está envolvido em guerra civil desde então.


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