Mianmar: população rohingya precisa ter garantias de retorno seguro, afirma oficial da ONU

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O alto-comissário assistente para proteção da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), Volker Türk, concluiu na terça-feira (7) sua visita a Bangladesh com um apelo pela diminuição do impacto de refugiados em comunidades de acolhida, e pelo respeito ao direito dos rohingya de retornarem para casa.

Durante sua visita de cinco dias, Türk reuniu-se com alguns dos cerca de 600 mil refugiados forçados a fugir devido a atos de violência em Rakhine, ao norte de Mianmar, desde meados de agosto. Ele testemunhou em primeira-mão a relação entre deslocamento forçado e apatridia.

Volker Türk, alto-comissário assistente do ACNUR para proteção, visita refugiados no campo de Kutupalong, em Bangladesh. Foto: ACNUR/Roger Arnold.

Volker Türk, alto-comissário assistente do ACNUR para proteção, visita refugiados no campo de Kutupalong, em Bangladesh. Foto: ACNUR/Roger Arnold.

O alto-comissário assistente para proteção da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), Volker Türk, concluiu na terça-feira (7) sua visita a Bangladesh com um apelo pela diminuição do impacto de refugiados em comunidades de acolhida, e pelo respeito ao direito dos rohingya de retornarem para casa.

Durante sua visita de cinco dias, Türk reuniu-se com alguns dos cerca de 600 mil refugiados forçados a fugir devido a atos de violência em Rakhine, ao norte de Mianmar, desde meados de agosto. Ele testemunhou em primeira-mão a relação entre deslocamento forçado e apatridia.

“A situação atual é resultado de discriminação ao longo dos anos — a falta de documentação, liberdade de movimento, acesso a meios de vida”, disse o alto-comissário assistente. “Os refugiados me disseram que sentem não pertencer”.

Na extensão do campo de Kutupalong, no distrito de Cox Bazar, Türk conheceu Abdul Salam, um homem de aproximadamente 100 anos que foi forçado a fugir Buthidaung com sua esposa e duas filhas no início de setembro.

“No total, escapei de Bangladesh quatro vezes”, disse Abdul Salam. “Em 1942 quando os japoneses chegaram, e de novo em 1978. A terceira vez eu não consigo lembrar, provavelmente em 1991. Mas desta vez foi a mais difícil. Tivemos que atravessar 11 colinas e passar 12 dias escondidos na floresta. Eu não podia andar nem ver, então eles tinham que me carregar”.

Sua esposa Mostaba Khatun, de 60 anos, esteve refugiada três vezes. “Em 1978, as pessoas exigiam: ‘mostrem-nos seus papéis, vocês não são daqui’. Então, fomos obrigados a sair”, disse ela.

O ACNUR está trabalhando com o governo de Bangladesh e parceiros para fornecer assistência e proteção humanitária para os refugiados. Isso inclui o fornecimento de alimentos, água limpa, abrigo e cuidados de saúde, bem como aconselhamento e reunião das famílias separadas.

A agência também está ciente do impacto que esse influxo teve nas comunidades humildes de acolhimento.”É crucial promover a integração dos refugiados com seus anfitriões locais de maneira a suprir as necessidades de ambos”, disse Türk.

“Podemos transformar esta crise em uma oportunidade, mobilizando os atores de desenvolvimento e o setor privado, para desenvolver a região — como fizemos desde a década de 1990, investindo em estradas, pontes, escolas e centros de saúde para benefício de todos.”

Desde 1992, o ACNUR já gastou milhões de dólares para construir ou melhorar esses projetos comunitários. Mais recentemente, a agência contribuiu com 2 milhões de dólares para a construção de uma estrada de acesso à extensão do campo de Kutupalong, e doou equipamentos médicos para vários hospitais locais para ajudá-los a lidar com o aumento do número de pacientes.

A agência também está apoiando as necessidades da equipe para estender as horas de consulta até as 20 horas no principal hospital de Cox’s Bazar.

Perguntado sobre seus planos, o recém-chegado Husson Ali disse com naturalidade: “se as coisas melhorarem e nós formos aceitos como rohingya em Mianmar, podemos voltar e ficar com as outras comunidades”.

Türk concordou: “para o retorno acontecer, é necessário que haja segurança e garantias de proteção”.

“Deve haver um compromisso muito sério para implementar imediatamente as recomendações do relatório da Comissão Consultiva de Rakhine que foi lançado e validado pelo Conselheiro de Estado”, disse.

“Precisamos ver ações urgentes que construam a confiança de diferentes comunidades. Eles precisarão encontrar uma maneira de viver juntos novamente, como fizeram no passado”, completou.

Ele recorreu à Abdul Salam, o ancião da comunidade, para unir as comunidades no futuro. O senhor sacudiu a cabeça afirmativamente: “sim, temos que fazer a paz”.

O alto-comissário assistente concluiu sua visita a Bangladesh reunindo-se com parceiros da ONU e ONGs, bem como com funcionários do governo de Mianmar.


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