Mianmar: ONU elogia eleição de primeiro presidente civil em mais de 50 anos

Desde 2007, seu primeiro ano como secretário-geral, Ban Ki-moon apoia ativamente o desenvolvimento e a paz no país do sudeste asiático que, em 2015, realizou eleições nacionais históricas. Em relatório conjunto, FAO e Programa Mundial de Alimentos alertam para persistência da insegurança alimentar em regiões atingidas por ciclone, há sete meses.

Mulheres que vendem vegetais em um mercado em Pyapon, Mianmar. Foto: Banco Mundial / Markus Kostner

Mulheres que vendem vegetais em um mercado em Pyapon, Mianmar. Foto: Banco Mundial / Markus Kostner

Após a realização de eleições nacionais históricas em novembro de 2015, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, felicitou Htin Kyaw, eleito nesta semana pelo Parlamento de Mianmar como o primeiro presidente civil em mais de cinco décadas.

“Esta é uma conquista significativa para o avanço das reformas democráticas anunciadas pelo governo que estará deixando o país”, disse um comunicado emitido pelo porta-voz de Ban Ki-moon.

“O secretário-geral espera que o povo de Mianmar continuará firmemente no caminho da democracia e da reconciliação nacional e, neste momento decisivo da transição, exorta o presidente eleito, bem como todas as outras partes interessadas, a trabalhar de forma inclusiva no sentido de uma consolidação suave e pacífica da unidade e da estabilidade no país”, acrescentou.

O chefe da ONU também reafirmou a disponibilidade das Nações Unidas em continuar apoiando os esforços para fazer avançar a paz, o desenvolvimento, os direitos humanos e o Estado de Direito em benefício de todos os povos de Mianmar.

A ONU tem se engajado em Mianmar após mais de 50 anos de regime militar, incluindo por meio da nomeação de um conselheiro especial do secretário-geral sobre a questão. Em 2007, Ban constituiu o chamado ‘Grupo de Amigos do Secretário-geral sobre Mianmar’, um fórum consultivo de 14 países para ajudá-lo em seus esforços para estimular a mudança democrática na nação do Sudeste Asiático.

ONU recomenda medidas para enfrentar insegurança alimentar em áreas atingidas pelo ciclone

Mais de sete meses após o ciclone Komen ter atingido Mianmar, as comunidades rurais pobres ainda estão presenciando o aumento dos níveis de insegurança alimentar – quadro que demonstra a vulnerabilidade destas áreas em resistir a situações de emergência semelhantes no futuro. O alerta foi feito também nesta semana por um relatório das Nações Unidas.

As pessoas nas áreas mais atingidas, nos estados de Chin e Rakhine, já eram vulneráveis antes da passagem do ciclone, destacou o documento. Ainda hoje, acrescentou a ONU, muitas pessoas ainda sofrem com a queda na produção de arroz em até 15%, restringindo o acesso aos alimentos e elevando os preços para o consumidor final. O relatório foi realizado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) e o Programa Mundial de Alimentos (PMA).

Para obter assistência imediata, o relatório recomenda a distribuição de sementes para as próximas épocas de plantio das monções, o fornecimento de recipientes de armazenamento de água e resistentes às pragas para proteger sementes de agricultores, juntamente com redes de secagem e equipamentos de pós-colheita, bem como o repovoamento urgente de gado, tais como galinhas, patos, porcos e cabras – uma forma de evitar uma queda na ingestão de proteína.

Medidas relativas a reposição de equipamentos e materiais de pesca, de máquinas agrícolas e reabilitação de lagoas de peixes também foram citadas.

O relatório também fornece um conjunto de recomendações para a recuperação em longo prazo, construção de resiliência e redução do risco de desastres. Desenvolvimento de bancos de grãos em níveis municipais e regionais para reduzir as perdas pós-colheita; construção de pequenas barragens em áreas adequadas; e o estabelecimento de uma unidade de alerta rápido e informação nacional de segurança alimentar e nutrição foram algumas das medidas propostas.