México e FAO criam fundo para adaptação do Caribe às mudanças climáticas

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O governo mexicano e a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) trabalharão em conjunto para melhorar a adaptação e a resiliência às mudanças climáticas no Caribe.

O México alocará 4,3 milhões de dólares nos próximos cinco anos para criar um fundo de cooperação que trabalhará com os 20 países-membros e associados da Comunidade do Caribe (CARICOM, sigla em inglês) e com as nações da América Central em assuntos de mudanças climáticas.

Vista aérea da ilha do Chipre, localizada no Mar Mediterrâneo. Foto: Flickr/Kamel Lebtahi (cc)

Pequenos Estados insulares enfrentam risco maior com mudanças climáticas. Foto: Flickr/Kamel Lebtahi (cc)

O governo mexicano e a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) trabalharão em conjunto para melhorar a adaptação e a resiliência às mudanças climáticas no Caribe.

O México alocará 4,3 milhões de dólares nos próximos cinco anos para criar um fundo de cooperação que trabalhará com os 20 países-membros e associados da Comunidade do Caribe (CARICOM, sigla em inglês) e com as nações da América Central em assuntos de mudanças climáticas.

Agustín García-López, diretor-executivo da Agência Mexicana para a Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AMEXCID) e o diretor-geral da FAO, José Graziano da Silva, assinaram na quinta-feira (8) uma carta de intenção em Montego Bay, Jamaica, durante o último dia da Conferência Regional da FAO.

Segundo o acordo, o México e a FAO apoiarão o desenho e a implementação de projetos para obter recursos de fontes como o Fundo Verde para o Clima (GCF, em inglês), o Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF, em inglês) e outras fontes de recursos, que são urgentemente necessárias.

“Com esses fundos do México, a FAO poderá preparar projetos imediatamente e mobilizar recursos. A natureza multiplicadora deste fundo é muito importante, uma vez que cada dólar investido se multiplica. Creio que podemos mobilizar até 300 milhões de dólares para os países do Caribe”, explicou o diretor-geral da FAO.

“O México, com base em sua própria experiência, e da mão de um parceiro estratégico, multilateral e privilegiado como a FAO, estabeleceu como uma das suas prioridades a cooperação para fortalecer o desenvolvimento agrícola sustentável e resiliente às mudanças e aos desastres de todos os países do Caribe e da sub-região da América Central”, disse o diretor-executivo da AMEXCID.

A FAO e o México também trabalharão para fortalecer as agências e instituições do Caribe envolvidas na adaptação e resiliência às mudanças climáticas, promovendo a Cooperação Sul-Sul com outros países da região.

Financiamento para enfrentar as mudanças climáticas

As mudanças climáticas são um dos três principais temas da Conferência Regional da FAO. De acordo com a FAO, os países da região estão financiando a adaptação e a mitigação às mudanças climáticas principalmente com seus recursos próprios, cobrindo mais de 90% dos custos.

Mas esses fundos são insuficientes: até 2050, a FAO estima que serão necessários 100 bilhões de dólares adicionais para a adaptação às mudanças climáticas na América Latina e no Caribe.

O diretor-geral da FAO fez um chamado para que os governos invistam em intervenções ambiciosas e em larga escala para combater as mudanças climáticas.

“Todos os países têm a necessidade de acessar todos os fundos disponíveis, independentemente do seu nível de desenvolvimento. As mudanças climáticas são um desafio global, e a cooperação internacional é o único meio de enfrentá-las”, afirmou Graziano.

O diretor-geral da FAO solicitou à comunidade internacional que apoie projetos inovadores da América Latina e do Caribe, como o Projeto do Paraguai, Pobreza, Desmatamento, Energia e Mudanças Climáticas (Proeza), que recebeu recentemente 25 milhões de dólares do Fundo Verde para o clima.

“O Proeza é a primeira iniciativa apoiada pela FAO a acessar recursos para lutar contra os efeitos negativos das mudanças climáticas do Fundo Verde do Clima, e esperamos que muitos o acompanhem”, disse Graziano.

Ele enfatizou ainda a necessidade de os governos passarem de intervenções de pequena a grande escala, capazes de fazer a diferença nas vidas de milhões de pessoas que vivem na pobreza e na insegurança alimentar.

A FAO está ajudando vários países a desenvolver propostas para obter fundos muito importantes para projetos de grande porte, como a proposta RECLIMA de El Salvador para o Fundo Verde para o Clima, que busca melhorar as medidas de resiliência climática em agro ecossistemas do corredor seco da América Central.

Dezoito países da região estão trabalhando com a FAO para desenvolver 45 projetos do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF, em inglês), enquanto sete países estão criando ambiciosas propostas de financiamento para o Fundo Verde para o Clima.

Não há tempo a perder

Os desafios relacionados às mudanças climáticas são agravados nos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento do Caribe, devido à sua pequena área geográfica, isolamento e exposição.

“Para eles, não há tempo a perder para enfrentar as mudanças climáticas. Para eles, as mudanças climáticas são uma questão de vida ou morte”, afirmou o diretor-geral da FAO.

A FAO está atualmente ajudando os Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (no Caribe) a integrar o setor agrícola nas prioridades das mudanças climáticas e nas contribuições determinadas em nível nacional.

O Projeto do Setor Pesqueiro do Caribe Oriental, financiado com 5,5 milhões de dólares do GEF, está trabalhando em sete países (Antígua e Barbuda, Dominica, Granada, São Cristóvão e Nevis, Santa Lúcia, São Vicente e Granadinas e Trinidad e Tobago).

O projeto está desenvolvendo as capacidades dos pescadores ao mesmo tempo em que melhora a governança da pesca e introduz medidas de adaptação às mudanças climáticas neste setor, chave para a segurança alimentar do Caribe.


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