México é 1º país das Américas a eliminar tracoma, anuncia OMS

O México é o primeiro país das Américas a erradicar o tracoma como problema de saúde pública, anunciou na segunda-feira (24) a Organização Mundial da Saúde (OMS). Com a certificação do organismo internacional, a nação se torna a terceira do mundo — atrás apenas de Omã e Marrocos — a eliminar a doença que é considerada a principal causa infecciosa de cegueira.

Tracoma foi eliminado no México. Foto: OPAS

Tracoma foi eliminado no México. Foto: OPAS

O México é o primeiro país das Américas a erradicar o tracoma como problema de saúde pública, anunciou na segunda-feira (24) a Organização Mundial da Saúde (OMS). Com a certificação do organismo internacional, a nação se torna a terceira do mundo — atrás apenas de Omã e Marrocos — a eliminar a doença que é considerada a principal causa infecciosa de cegueira.

Patologia bacteriana, o tracoma é transmitido pelo contato com secreções oculares e nasais dos infectados, sobretudo de crianças pequenas. Entre os segmentos demográficos mais afetados pela infecção, estão populações rurais, isoladas e vivendo em situação de pobreza em 41 países do mundo. No continente americano, o tracoma é endêmico em regiões do Brasil, Guatemala e Colômbia.

No México, a enfermidade era endêmica em 246 comunidades de cinco municípios do estado de Chiapas, afetando um total de 146,2 mil pessoas. Ações para combater a doença se fortaleceram a partir de 2004, com a criação do Programa de Prevenção e Controle do Tracoma da Secretaria estadual de Saúde e com maiores compromissos do governo para implementar a estratégia da OMS para eliminar a infecção.

Foram criadas Brigadas de Tracoma, grupos de médicos, enfermeiros e técnicos cujos esforços conseguiram reduzir o número de novos casos da doença de 1.794 em 2004 para zero em 2016. Os dados são do programa de prevenção de Chiapas. Com isso, o México cumpriu os critérios internacionais de eliminação do tracoma, alcançando uma prevalência de novas ocorrências inferior a 5% entre crianças de um a nove anos.

Outro requisito era que o país registrasse menos de um episódio de triquíase tracomatosa — quando os cílios ficam invertidos e entram em contato com a superfície do olho — por cada mil habitantes.

Segundo informe da diretora-geral da OMS, Margaret Chan, uma comitiva de especialistas independentes avaliou os dados disponibilizados pelo governo e visitou o país em novembro de 2016 para verificar as conquistas anunciadas.

“Este é um momento histórico para a saúde pública do México e da região das Américas”, celebrou a diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Carissa Etienne. “Eliminar uma doença não é algo que se consegue todos os dias”, lembrou a especialista. A dirigente do organismo regional reconheceu as décadas de esforço das autoridades mexicanas, dos profissionais e das comunidades para acabar com o que descreveu como “uma doença da pobreza”.

Para evitar o ressurgimento da doença, a OPAS e a OMS recomendam a vigilância da situação da doença em território mexicano, bem como a manutenção da assistência dada a pessoas infectadas.

Até o momento, outros cinco países — China, Gâmbia, Gana, Irã e Mianmar — informaram à OMS ter cumprido os objetivos de eliminação do tracoma. A maioria das nações onde a doença é endêmica estão acelerando a implementação de diretrizes da OMS para erradicar a enfermidade até 2020.

Em 2015, mais de 185 mil pessoas com triquíase tracomatosa tiveram acesso a cirurgias corretivas em todo o mundo, e 56 milhões de pacientes vítimas de tracoma foram tratados com antibióticos.