Metade da população da República Centro-Africana está passando fome, alerta PMA

Um a cada seis centro-africanos enfrenta níveis de insegurança alimentar considerados severos ou extremos, de acordo com a avaliação do PMA. Foto: PMA / Bruno Djoye

O Programa Mundial de Alimentos (PMA) destacou, nesta quarta-feira (20), que cerca de 2,5 milhões de pessoas passam fome na República Centro-Africana. O número equivale à metade da população. Em nova análise da conjuntura do país, a agência da ONU estimou que mais de um terço dos centro-africanos se alimenta sem saber de onde virá a sua próxima refeição. Uma crise interna que já dura três anos e a violência decorrente estão entre as principais causas da atual situação de escassez. O Programa recebeu apenas 45% da verba de 41 milhões de dólares necessária para operar na República Centro-Africana.

“Famílias foram forçadas, muito frequentemente, a vender o que possuem, a tirar suas crianças da escola e, mesmo, a recorrer à mendicância, de tal modo que elas chegaram ao fim da linha. Essa não é a emergência usual e trivial. As pessoas ficaram sem nada”, afirmou o vice-diretor do PMA no país, Guy Adoua. De acordo com a agência, a quantidade de pessoas passando fome dobrou no período de um ano. Um a cada seis cidadãos enfrenta níveis de insegurança alimentar considerados severos ou extremos.

O PMA observou que as colheitas entre 2014 e 2015 foram fracas e que os preços dos alimentos permaneceram elevados, pois agricultores não puderam cuidar das plantações devido à falta de segurança. Por conta da violência, centenas de milhares pessoas foram forçadas a abandonar suas casas, terras e meios de subsistência. Cerca de um milhão de centro-africanos estão internamente deslocados ou buscaram refúgio em países vizinhos. Novos confrontos eclodiram em setembro de 2015 e provocaram mais fugas num momento em que uma parte da população tentava retornar aos seus lares.

Em dezembro de 2015, o PMA forneceu alimentos para cerca de 400 mil pessoas. Mesmo subfinanciada, a agência continua a prestar assistência para os mais vulneráveis e a dar apoio a esforços de recuperação para fazendeiros. Operações da agência se concentram em ações de transferência de renda e compra de comida de produtores locais para programas de refeição escolar.