Mês de fevereiro registra mil vítimas da violência no Iraque, diz ONU

Crianças e familiares que fugiram da escalada da violência em Mossul, no Iraque, e agora estão vivendo em Kirkuk. Foto: UNICEF / Anmar

Mais de mil civis foram mortos ou ficaram feridos no último mês no Iraque, alertou a Missão de Assistência das Nações Unidas no Iraque no país (UNAMI) no início de março.

De acordo com os últimos dados da UNAMI, pelo menos 392 pessoas foram mortas e outras 613 ficaram feridas em atos de terrorismo e em meio a conflitos armados. No mês de janeiro, o número de vítimas foi mais alto, chegando a 403 mortes e 924 feridos.

O chefe da UNAMI, Ján Kubis, condenou os ataques deliberados contra civis promovidos pelo Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL) e saudou as forças de segurança iraquianas pelo profissionalismo na perseguição dos terroristas e pelas medidas preventivas para amenizar as baixas.

“À medida que as forças de segurança iraquianas intensificaram as operações militares para libertar as partes restantes em Mossul do controle do ISIL, os terroristas atacaram de novo, atacando civis com bombardeios covardes para aliviar a pressão nas linhas de frente”, disse Kubis.

“As tentativas de violência do ISIL não conseguiram enfraquecer a determinação do povo e do governo do Iraque de livrar o país de uma vez por todas do flagelo do terrorismo”, acrescentou Kubis, que é também representante especial do secretário-geral para o Iraque.

Em meio à escalada da violência, 15 mil crianças fogem de Mossul

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) informou que cerca de 15 mil crianças fugiram recentemente da zona oeste da cidade de Mossul, no Iraque, onde os conflitos entre as forças do governo e combatentes do Estado Islâmico se intensificaram nas últimas semanas.

“O UNICEF está respondendo as necessidades imediatas no campo de Hamam Al Alil, a cerca de 20 km de Mossul, onde ajuda é prestada às crianças assim que elas chegam”, disse o consultor regional de emergência do UNICEF, Bastien Vigneau, a jornalistas em Genebra.

Ele observou que as crianças estavam muito assustadas com o som das bombas, que era uma das principais razões pelas quais seus pais haviam decidido fugir. Eles fugiram com pouca bagagem e na maioria dos casos com um mínimo de roupas. As crianças e seus familiares chegaram principalmente por ônibus organizados pelos militares.

As principais prioridades, além da primeira resposta de emergência, incluem cuidados de saúde, para garantir que os menores sejam imunizadas contra sarampo e poliomielite.

De acordo com o porta-voz da agência da ONU para Refugiados (ACNUR), Matthew Sarmash, houve um aumento significativo de deslocamentos, e o acampamento de Hamam Al Alil esteve perto de atingir a sua capacidade máxima. No momento, 150 mil lugares estão ocupados. Ele observou que obras estão em andamento para acomodar 250 mil pessoas na instalação.

Diante da situação, o ACNUR informou ainda que está aumentando os números de acampamentos e ampliando os já existentes para abrigar os novos recém-chegados, muitos dos quais estão traumatizados, com fome e desidratados.

O recém-inaugurado campo Chamakor, por exemplo, está pronto para receber até 6.600 pessoas. Além desse, dois outros estão sendo construídos, um a leste e outro a sul de Mossul. A expectativa é que esses campos recebam até 39 mil requerentes de asilo.

Atualmente, há 211.572 iraquianos deslocados pelos combates em Mossul, com mais de 50 mil adicionados desde o início das últimas operações no oeste de Mossul, lançadas em 19 de fevereiro.

Iraque é ponto focal da ONU no combate à violência sexual relacionada a conflitos

O ponto focal da ONU para pôr fim à violência sexual relacionada a conflitos está no Iraque, afirmou no início de março a representante especial do secretário-geral sobre assunto, Zainab Hawa Bangura.

De acordo com Bangura, o Centro de Apoio e Tratamento de Meninas e Mulheres em Dohuk, no norte do Iraque, que tem suporte do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), está na vanguarda da prestação de assistência aos sobreviventes da violência imposta pelo ISIL. Ela citou especialmente a ajuda prestada a integrantes da comunidade yazidi.

Representante especial do secretário-geral sobre violência sexual relacionada a conflitos, Zainab Hawa Bangura, durante visita ao Centro de Apoio e Tratamento de Meninas e Mulheres em Dohuk, no norte do Iraque. Foto: UNFPA

Mulheres e meninas yazidi são alvos da violência promovida por integrantes do Estado Islâmico, e enfrentam, entre outras coisas, estupro, escravidão sexual e casamento forçado.

A representante especial pediu uma abordagem multifacetada de nível global para local, a fim de dar continuidade à assistência aos sobreviventes e ajudá-los, juntamente com seus familiares, a recuperar o papel na sociedade.

Como parte de sua visita ao Iraque, Bangura discutiu a necessidade desse apoio com o primeiro-ministro da região do Curdistão, Nechervan Barzani, e se reuniu com Jassim Mohammed Al-Jaf, do Ministério de Migração e Deslocados, e com o chefe do Conselho Judicial do Iraque, Faed Zaidan.

Ela também se reuniu com líderes religiosos sunitas para discutir a reintegração de sobreviventes de violência sexual relacionada ao conflito, e para garantir que as crianças nascidas de estupro não sejam excluídas pela comunidade.