Merenda escolar alimenta 386 milhões de crianças em todo o mundo, destaca levantamento do PMA

Uma a cada cinco crianças recebe refeições quando vai estudar. Brasil foi elogiado em novo estudo do Programa Mundial de Alimentos (PMA) por associar alimentação nas escolas à compra de produtos da agricultura familiar.

Quase todos os países contam com programas de alimentação escolar, que beneficiam um quinto das crianças em todo o mundo. Foto: PMA / Graeme Williams

Quase todos os países contam com programas de alimentação escolar, que beneficiam um quinto das crianças em todo o mundo. Foto: PMA / Graeme Williams

Em todo o mundo, uma a cada cinco crianças recebe refeições quando vai estudar. No total, 386 milhões de jovens são beneficiados por programas de alimentação escolar que contribuem para aumentar a frequência e matrícula em instituições de ensino, além de melhorar a nutrição e a saúde dos alunos.

Os dados são de um novo levantamento publicado na semana passada (23) pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA), o Banco Mundial e a Parceria para o Desenvolvimento da Criança, da Imperial College London.

A avaliação destaca que os programas de alimentação escolar mais sólidos e sustentáveis são aqueles executados localmente e que incorporam alguma forma de benefício familiar ou comunitário, como contribuições em dinheiro ou doação de trabalho ou alimentos.

O Brasil foi uma das 14 nações avaliadas pelo estudo e recebeu elogios por vincular a alimentação escolar à compra de produtos da agricultura local. No país, 30% do orçamento para refeições em centros de ensino deve ser utilizado para adquirir alimentos de agricultores familiares.

Segundo o PMA, esse modelo permite que a alimentação escolar ultrapasse os muros das escolas, beneficiando grupos tradicionalmente excluídos dessas iniciativas, como os pequenos produtores do meio rural.

O relatório ressalta ainda que os benefícios para a saúde dos estudantes podem ser tanto de longo prazo, quanto de curto prazo. Em Gana, por exemplo, as refeições servidas nas escolas são fortificadas com micronutrientes para combater a desnutrição entre os alunos. No Chile, os programas de alimentação escolar ensinam crianças a escolherem os alimentos mais saudáveis para evitar a obesidade.

A coordenação objetiva das iniciativas também foi considerada importante: programas no Quênia e no Brasil devem parte de seu sucesso à definição clara dos papéis da comunidade e dos diferentes setores envolvidos. A participação comunitária no Chile e na Índia tem sucesso devido a diretrizes detalhadas que definem as atividades de cada agente.

Apesar do cenário positivo observado em muitos países, o relatório alerta para a falta de informações sobre os impactos da alimentação escolar. Os especialistas autores do estudo ressaltam que poucas avaliações foram realizadas sobre suas consequências para agricultores familiares, para o desenvolvimento local, para os hábitos alimentares e para a qualidade dos alimentos e condições sanitárias.

A publicação também chama atenção para o aumento da participação de organismos privados em programas de alimentação escolar. Apesar do crescente apoio financeiro vindo deste setor, os pesquisadores identificaram, nos países avaliados, uma forte vontade política de manter o financiamento da alimentação escolar com recursos nacionais.

Acesse o estudo na íntegra aqui (em inglês).


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