Mercado exigirá que empresas calculem risco climático, diz especialista da Universidade de Yale

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As pessoas que falam de sustentabilidade não são as mesmas que falam de finanças. Foi assim que Todd Cort, professor da Escola de Administração de Yale, nos Estados Unidos, resumiu o desafio que a sustentabilidade corporativa encontra na tradução de seus valores aos investidores financeiros, durante palestra na Fundação Getulio Vargas (FGV), em São Paulo, no fim de outubro (19).

De acordo com o especialista, os últimos relatórios da força-tarefa global para encorajar empresários a divulgar voluntariamente dados sobre riscos ambientais apontam que, no futuro próximo, o mercado exigirá que as empresas calculem o risco climático. O relato é da Rede Brasil do Pacto Global.

Todd Cort ressaltou o potencial da sustentabilidade para investimentos, uma vez que o mercado exigirá num futuro próximo que as empresas calculem, por exemplo, o risco climático de suas operações Foto: Rede Brasil do Pacto Global/Luísa Monteiro

Todd Cort ressaltou o potencial da sustentabilidade para investimentos, uma vez que o mercado exigirá num futuro próximo que as empresas calculem, por exemplo, o risco climático de suas operações
Foto: Rede Brasil do Pacto Global/Luísa Monteiro

As pessoas que falam de sustentabilidade não são as mesmas que falam de finanças. Foi assim que Todd Cort, professor da Escola de Administração de Yale, nos Estados Unidos, resumiu o desafio que a sustentabilidade corporativa encontra na tradução de seus valores aos investidores financeiros, durante palestra realizada na Fundação Getulio Vargas (FGV), em São Paulo, no fim de outubro (19).

O encontro, organizado pela Rede Brasil do Pacto Global, expôs um cenário que se torna cada vez mais comum no mercado mundial: apesar do crescimento dos setores de meio ambiente, sustentabilidade e governança, as empresas precisam adequar seus processos às novas e crescentes expectativas dos investidores.

De perfil analítico, fruto de sua ampla experiência em consultoria financeira, o acadêmico explicou que as formas atuais de mensuração e relato em sustentabilidade corporativa ainda não deixam claro para os investidores quais os fatores que, dentro dela, geram receita.

O especialista ressaltou que, em 2014, o segmento de sustentabilidade corporativa já movimentava 21,4 trilhões de dólares. Além disso, para que o mundo possa controlar a elevação da temperatura global em até dois graus Celsius, o mercado precisará investir, até 2030, 1 trilhão de dólares por ano em frentes ambientalmente responsáveis, sejam em infraestrutura, ações ou títulos verdes (“green bonds”).

A discussão apresentada por Cort — convidado a visitar o Brasil pela empresa norte-americana de índices de sustentabilidade ESG Compass — vem em momento importante. Os últimos relatórios da TCFD, força-tarefa global liderada pelo ex-prefeito de Nova Iorque Michael Bloomberg para encorajar empresários a divulgar voluntariamente dados sobre riscos ambientais, apontam que, no futuro próximo, o mercado exigirá que as empresas calculem o risco climático.

Segundo o professor, já existe um movimento do setor privado mundial para que os negócios sejam inovadores e se adaptem ao novo contexto. “Sinto que as empresas desejam ir além da comunicação de suas ações sustentáveis. É interessante perceber que no Brasil elas estão muito envolvidas com o relato corporativo voluntário, como é o caso daquelas que adotam a GRI (Global Reporting Inititative, ou relatórios de sustentabilidade)”, observou.

Cort lembrou que já no ano de 2010 as ações na bolsa de empresas que adotavam práticas ambientais e sociais tinham um desempenho 47% melhor em relação a empresas que não o faziam.

De acordo com ele, metas geradas por pactos como o Acordo de Paris para o clima e programas com o CEO Water Mandate — iniciativa público-privada criada pelo Pacto Global da ONU para preservação dos recursos hídricos —, além dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), são cada vez mais importantes.

“As empresas não devem só cumprir uma agenda empresarial sustentável, medindo e comunicando projetos, mas precisam avançar nela, promovendo inovações que desenvolvam um mercado mais sustentável e lucrativo, cuja consistência em dados e medidas atraia cada vez mais investidores”, afirmou.


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