Membros do parlamento estudantil da UNRWA discutem impacto de cortes de eletricidade na educação

Com períodos de luz muito curtos e disponibilidade de energia por apenas seis horas ao dia, estudantes encaram dificuldades para dedicar-se aos estudos.

Parlamento Estudantil da Escola para Garotas D da UNRWA em Rafah, ao sudeste de Gaza.

Parlamento Estudantil da Escola para Garotas D da UNRWA em Rafah, ao sudeste de Gaza. Foto: UNRWA

A falta de eletricidade torna a vida muito difícil em Gaza, especialmente para as crianças em idade escolar. Gaza depende primariamente de três fontes de energia: a companhia elétrica israelense, a Usina de Energia de Gaza e a rede elétrica egípcia. Essas fontes só atendem a 51% da necessidade da população.

Depois da crise de 2014, a provisão de eletricidade foi limitada a seis horas em algumas regiões do território palestino. Um ano depois, a população ainda vivencia cortes diários de 12 a 16 horas de duração. Os cortes de eletricidade afetam o aprendizado dos alunos e o ensino dos professores de Gaza.

Este é um tópico amplamente discutido pelo Parlamento Estudantil da Escola para Garotas D da UNRWA em Rafah, ao sudeste de Gaza.

“Depois da escola, eu costumava descansar um pouco antes de fazer minha tarefa de casa, mas agora eu não posso porque o período de luz natural é muito curto e eu preciso terminar meus estudos antes do pôr-do-sol, senão fica escuro e não temos eletricidade em casa para ligar as luzes,” explica Doha Abu Mohaisen, de 12 anos, uma nova integrante do parlamento de sua escola.

Imam Shahin, colega de Doha no parlamento, afirmou que as limitações de eletricidade estão desencadeando problemas de vista para certos estudantes. O uso de óculos, por exemplo, se tornou mais frequente, já que as dificuldades para estudar a luz de lampião trazem danos para a visão.

Outros optam por esperar até mais tarde para fazer seus deveres de casa, porque é quando, geralmente, a rede elétrica em Gaza volta a fornecer energia às casas.

“Eu e meus irmãos e irmãs ficamos acordados até tarde para poder estudar enquanto há eletricidade, mas no dia seguinte temos que acordar cedo e sempre nos sentimos cansados,” explica o membro do parlamento de 14 anos, Basma Abed.

O professor de Direitos Humanos e coordenador das atividades do Parlamento Escolar, Haneen Al Bana, confirmou a experiência dos estudantes com os cortes de eletricidade: “Os estudantes estão programando sua vida de acordo com o cronograma da eletricidade; eles não conseguem sequer dormir o suficiente porque eles normalmente precisam ficar acordados até tarde da noite para estudar. Eu acredito que isso afeta a sua educação.”

Durante as horas escolares a UNRWA tenta amenizar o impacto dos cortes elétricos nos seus estudantes e professores disponibilizando geradores em suas escolas. Entretanto, estes são, em geral, barulhentos e representam um custo alto para a Agência, além de poluir o meio ambiente.

Cortes elétricos em Gaza também afetam o setor privado e residências particulares, serviços de saúde e estações de tratamento de água. Um relatório das Nações Unidas de 2012 prevê que até 2020 o fornecimento de eletricidade em Gaza precisará ser duplicado para atender à demanda.