Membros da Missão de Apoio da ONU na Líbia são evacuados devido à escalada do conflito no país

As batalhas armadas, inflamadas por ataques aéreos e profundas divisões entre facções políticas líbias, registram uma “gravidade alarmante sem precedente”, disse o enviado da ONU no Conselho de Segurança.

Foto: ONU/Giovanni Diffidenti

Foto: ONU/Giovanni Diffidenti

Nos últimos dias, as batalhas armadas, inflamadas por ataques aéreos e alimentadas por profundas divisões entre facções políticas líbias registram “uma gravidade sem precedentes e alarmante”, disse o enviado das Nações Unidas ao Conselho de Segurança nessa quarta-feira (27) de agosto.

Em seu último discurso como representante especial do secretário-geral e chefe da Missão de Apoio das Nações Unidas na Líbia (UNSMIL), Tarek Mitri, disse que o povo líbio está sofrem as consequências do conflito. O número de deslocados é estimado em mais de 100 mil, enquanto outras 150 mil pessoas cruzaram as fronteiras em busca de refúgio no estrangeiro.

“Há uma deterioração geral das condições de vida na Líbia. Alimentos, combustível, água e eletricidade estão em falta. A saída de médicos estrangeiros e a escassez de suprimentos médicos tornou a situação dos civis ainda mais crítica”, disse Mitri.

A utilização de armas pesadas por ambos os lados em áreas densamente povoadas espalhou terror e contribuiu para crescente perda de vidas inocentes, incluindo crianças. Além disso, houve um aumento no número de sequestros, casas queimadas, saques e outros atos de vingança.

A UNSMIL retirou sua equipe internacional devido à escalada do conflito, porém permanece engajada para auxiliar na resolução do conflito. No último dia 7 de agosto, uma delegação viajou a Trípoli para se encontrar com uma série de atores políticos e militares para explorar opções para um cessar-fogo.

“Precisamos lembrar para os líderes políticos e comandantes de brigada da Líbia que o diálogo é a única alternativa para um confronto armado prolongado”, enfatizou o Mitri, reiterando que “não há solução militar possível” e que o atual impasse só vai aprofundar através da utilização de força.

Também hoje, o Conselho de Segurança aprovou uma resolução que apela a todas as partes na Líbia para chegar a um acordo sobre um cessar-fogo imediato e o fim da luta. O conselho condenou o uso da violência contra civis e pediu que os responsáveis ​​sejam responsabilizados. O texto também modifica o regime de sanções à Líbia e fortalece o processo de isenção no que diz respeito ao embargo de armas atualmente em vigor.

O sucessor de Tarek Mitri será Bernardino León, da Espanha, que irá assumir o papel de representante especial e chefe de UNSMIL em 1 de Setembro.