Melhor gestão de recursos naturais pode dobrar acesso a escolas nos países em desenvolvimento

Estudo da UNESCO citou como exemplo a República Democrática do Congo (RDC), em que menos de 10% do rendimento dos minerais volta para o país, com 90% dos ganhos indo para as empresas de extração.

Jovens frequentam o Clube para Meninas Adolescentes no bairro de Gudele, nos arredores de Juba, no Sudão do Sul. Foto: UNESCO/BRAC

Jovens frequentam o Clube para Meninas Adolescentes no bairro de Gudele, nos arredores de Juba, no Sudão do Sul. Foto: UNESCO/BRAC

De acordo com um estudo das Nações Unidas divulgado nesta terça-feira (7), os países em desenvolvimento que são ricos em recursos naturais podem fazer enormes progressos na universalização do acesso a escolas.

O estudo do Relatório de Monitoramento Global de Educação, produzido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), argumenta que, maximizando e gerindo de maneira transparente os rendimentos de suas indústrias extrativas, 17 países poderiam obter um financiamento adicional de 5 bilhões de dólares para a educação anualmente — cerca de duas vezes e meia o valor que receberam em ajuda para a educação em 2010.

O estudo aponta que o rendimento proveniente dos recursos naturais poderiam permitir que esses países alcancem mais de 11 milhões de crianças que estão fora das escolas.

Na República Democrática do Congo (RDC), menos de 10% do rendimento dos minerais volta para o país, com 90% dos ganhos indo para as empresas de extração. Alterar esses percentuais permitiria que o Governo mantivesse parte dos lucros e investisse na educação, diz o estudo.

“Este é um investimento nas gerações futuras que deve ser aproveitado agora”, acrescentou a Diretora-Geral da UNESCO, Irina Bokova.

“Em alguns casos, os fundos foram canalizados para os conflitos armados e não para a educação. Se eles conseguirem administrar melhor seus recursos, e investirem 20% do rendimento na educação, 10 dos 17 países analisados podem alcançar o ensino básico universal“, disse Pauline Rose, diretora do Relatório de Monitoramento Global de Educação.

O documento, publicado no contexto do Fórum Econômico Mundial sobre a África que está sendo realizada na Cidade do Cabo, na África do Sul, de 8 a 10 de maio, faz uma série de recomendações. (Acesse aqui o documento, em inglês, francês ou espanhol)

Os países estudados no relatório foram Afeganistão, Angola, Burkina Faso, Chade, Camarões, República Democrática do Congo, República do Congo, Gana, Guiné, Laos, Malauí, Níger, Papua Nova Guiné, Serra Leoa, Tanzânia, Uganda e Zâmbia.


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