Médicos da OIM trabalham em consultórios móveis em Roraima durante pandemia da COVID-19

Duas ambulâncias transformadas em consultórios médicos estão atendendo brasileiros, migrantes e refugiados em pontos estratégicos de Boa Vista, capital de Roraima, durante a pandemia da COVID-19. Conheça a história dos médicos da equipe de saúde da Organização Internacional para as Migrações (OIM)

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O médico Gerson Costa Filho deixou o atendimento nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) incrustadas nas comunidades da região Norte do Rio de Janeiro, onde atuou por oito anos, para se dedicar à saúde de migrantes, refugiados e comunidade local em um dos extremos do Brasil, no estado de Roraima. Ele se juntou à equipe de Saúde da Organização Internacional para as Migrações (OIM) para reforçar o atendimento local em uma UBS da cidade.

De um contexto urbano marcado por várias adversidades, Gerson passou para outro, também caracterizado por diversos desafios e que deixa marcas, mas essas expressas na garra e persistência dos venezuelanos que saem do seu país de origem em busca de novas oportunidades.

A partir desta semana, o médico de família estará à frente de uma das duas Unidades Móveis de Saúde pilotadas pela OIM, que começam a funcionar na capital de Roraima nesse período de pandemia da COVID-19e. Junto com a equipe de saúde da Agência da ONU para as Migrações, Gerson irá atender brasileiros, migrantes e refugiados nas áreas cobertas pela Operação Acolhida, resposta humanitária do governo federal, entre outros pontos estratégicos. Um esforço coordenado com as autoridades locais.

“É um recurso que permitirá uma resposta muito mais rápida às necessidades e demandas em saúde da população em trânsito migratório e alojamento temporário, de forma flexível e dinâmica, como é o próprio processo de migração: nós vamos até onde as pessoas estão”, destaca Gerson, que também lembra que a itinerância trará outras demandas.

“Esse constante movimento vai nos exigir criatividade e jogo de cintura para sermos capazes de estabelecer vínculos fortes o suficiente para o acolhimento eficaz das necessidades de saúde dessas pessoas, mas também para o seu cuidado continuado, quando necessário”.

Com a pandemia de COVID-19, o desafio só aumentou para a equipe da OIM. Esse contexto era inimaginável há pouco tempo, quando os veículos deixavam a capital do Brasil rumo ao Norte do país.

“A pandemia trouxe muitos elementos para nossa reflexão. Temos cada vez mais clareza do peso que as iniquidades em saúde impõem sob a forma de adoecimento aos mais vulneráveis – não só mais passíveis de contágio, mas também por terem menos recursos disponíveis para o cuidado integral em saúde. Oferecer novos recursos ao sistema de saúde local será uma oportunidade única nesse período peculiar”, conclui o profissional.

Com os equipamentos disponíveis nas vans, que funcionarão como verdadeiros consultórios móveis, será possível fazer o acompanhamento médico de pacientes com diabetes e hipertensão, por exemplo, e até mesmo realizar exames de pré-natal e pequenos procedimentos. Serão atendidos, em média, mil pacientes por mês em cada unidade.

Para Luiz Otávio Bastos, outro profissional da medicina que trabalha no consultório móvel, o atendimento médico numa unidade que não é fixa segue padrões diferentes de um consultório tradicional, com outra lógica de organização do serviço, mas com a mesma eficácia.

“Com os recursos disponíveis e estrutura das vans, é possível realizar procedimentos e exames para lidar com emergências e respeitar a privacidade da pessoa que busca atendimento. Temos boas expectativas de superar o modelo de atendimento como mutirões de consultas”, relata Luiz Otávio.

O médico, que já atuou nos mais diferentes recantos do Amazonas, atendendo população urbana, ribeirinha e indígena, acredita que nesse período onde pessoas fragilizadas  se  encontram ainda mais vulneráveis, será primordial ampliar o acesso à saúde.

“É importante lembrar que essas populações vulneráveis vivem em moradias provisórias, muitas vezes densamente povoados e com dificuldade de acesso à água. São condições onde seguir as orientações de prevenção contra a pandemia se tornam muito mais difíceis”, afirma Luiz Otávio.

“Assim, ampliar o acesso à saúde, identificando precocemente casos potencialmente graves e estabilizando as doenças de base consideradas como fatores de risco para esta nova doença, tornam-se medidas cruciais de enfrentamento ao coronavírus”, finaliza o médico.

Esta e as demais ações em saúde da OIM em Roraima são realizadas com o apoio financeiro do Governo do Japão. O intuito é garantir assistência humanitária nas áreas de atenção primária à saúde por meio do suporte assistencial em saúde a venezuelanos e a população do estado. As atividades são alinhadas e executadas em consonância com o Sistema Único de Saúde e diferentes esferas de governo.