Mediadas pela ONU, negociações de paz na Síria recomeçam na segunda (14)

Anúncio foi feito pelo enviado especial das Nações Unidas para a Síria nesta semana. Comboios de ajuda humanitária continuam tentando alcançar mais pessoas em áreas sitiadas ou de difícil acesso após um cessar de hostilidades nacional iniciado em 27 de fevereiro; expectativa é que, até abril, 870 mil pessoas em áreas isoladas recebam ajuda.

Imagem da cidade de Homs, na Síria, em 2012. Guerra no país e crises anteriores, como os massacres de Ruanda e Srebrenica, levaram o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, a criar o projeto de prevenção, em 2013. Foto: PMA / Abeer Etefa

Imagem da cidade de Homs, na Síria, em 2012. Foto: PMA / Abeer Etefa

O enviado especial das Nações Unidas para a Síria anunciou que conversas de paz “substantivas” mediadas pela ONU serão iniciadas na segunda-feira (14), enquanto comboios de ajuda humanitária continuam tentando alcançar mais pessoas em áreas sitiadas ou de difícil acesso após um cessar de hostilidades nacional iniciado em 27 de fevereiro. A expectativa é que, até abril, 870 mil pessoas em áreas isoladas recebam ajuda.

“Foi uma conquista e tanto”, disse Staffan de Mistura a jornalistas em Genebra, citando as quase 240 mil pessoas para as quais a ONU e seus parceiros entregaram ajuda via 536 caminhões.

O enviado especial disse à imprensa que participantes já começaram a chegar à cidade suíça que irá sediar as “conversas de aproximação” nos próximos dias, enquanto aguardam a chegada de mais pessoas. Ele declarou esperar iniciar discussões substantivas em 14 de março, em uma rodada que deve ser encerrada no dia 24.

“Acreditamos que ter um cronograma e um prazo é saudável para todos”, disse o enviado especial. “Quando iniciarmos as conversas na segunda-feira, o foco será a essência, as agendas, em outras palavras, o novo governo, constituição, e eleições, o futuro pleito em um prazo de 18 meses, tanto presidencial como parlamentar.”

Sobre a situação humanitária, o assessor especial Jan Egeland citou o progresso das últimas semanas. “Dez áreas foram alcançadas pela ONU e parceiros, com diversos comboios”, disse. “A UNRWA [Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina] teve progresso ao atingir a população em Yarmouk, e o Programa Mundial de Alimentos (PMA) tem trabalhado sistematicamente para superar todos os obstáculos para conseguir lançar ajuda aérea para Deir ez-Zor.”

Enviado especial para a Síria, Staffan de Mistura (ao centro), ao lado de seu assessor especial, Jan Egeland (esquerda), e o coordenador humanitário da ONU na Síria, Yacoub El Hillo, durante coletiva de imprensa. Foto: ONU/Anne-Laure Lechat

Enviado especial para a Síria, Staffan de Mistura (ao centro), ao lado de seu assessor especial, Jan Egeland (esquerda), e o coordenador humanitário da ONU na Síria, Yacoub El Hillo, durante coletiva de imprensa. Foto: ONU/Anne-Laure Lechat

No entanto, Egeland declarou que seis áreas importantes – incluindo Darayya e Douma – permanecem isoladas, enquanto permissões e garantias de segurança ainda não foram obtidas. Ele também enfatizou que abril será o “mês de novos procedimentos”, afirmando que esses têm sido difíceis de conseguir, com muito tempo gasto nos requerimentos de permissão para acesso.

“Acreditamos que até lá possamos ter um sistema mais rápido, fácil e racional que nos permitirá superar essa mancha negra na consciência da Síria e da comunidade internacional, essa na qual as pessoas estão morrendo de fome em áreas sitiadas e de difícil acesso enquanto trabalhadores humanitários têm suprimentos que podem chegar a elas”, disse, acrescentando que um importante plano para acessar mais regiões por meio da cessão de hostilidades está a sendo produzido.

Paralelamente, o coordenador humanitário da ONU na Síria, Yacoub El Hillo, disse que a comunidade global precisa trabalhar unida para garantir que o cessar-fogo não seja ampliado para duas semanas ou dois meses, mas permanentemente.

“Olhando para o horizonte entre hoje e abril, pretendemos atingir 870 mil pessoas em áreas de difícil acesso, mas também em localidades específicas em áreas sitiadas que até agora não conseguimos atingir”, disse Hillo.