Massacre no Afeganistão ofusca 100 anos de independência

Cem anos após sua independência, o Afeganistão encontra-se em um “momento decisivo” de sua história, disse o chefe da missão da ONU no país na segunda-feira (19) após uma série de ataques terroristas nos últimos dias, entre eles um atentado suicida que matou 63 civis e feriu mais de 180 pessoas durante um casamento.

Tadamichi Yamamoto, chefe da Missão de Assistência da ONU no Afeganistão (UNAMA), disse que apesar de décadas de conflito, a população afegã continua comprometida em ter uma nação pacífica, próspera, estável e que defenda os direitos humanos tanto de homens como de mulheres.

Convidados estavam em um casamento em Cabul quando um homem-bomba detonou explosivos, matando e ferindo civis.

Convidados estavam em um casamento em Cabul quando um homem-bomba detonou explosivos, matando e ferindo civis. Foto: UNAMA

Cem anos após sua independência, o Afeganistão encontra-se em um “momento decisivo” de sua história, disse o chefe da missão da ONU no país na segunda-feira (19), após uma série de ataques terroristas nos últimos dias, entre eles um atentado suicida que matou 63 civis e feriu mais de 180 pessoas durante um casamento.

Tadamichi Yamamoto, chefe da Missão de Assistência da ONU no Afeganistão (UNAMA), disse que apesar de décadas de conflito, a população afegã continua comprometida em ter uma nação pacífica, próspera, estável e que defenda os direitos humanos tanto de homens como de mulheres.

Yamamoto não só manifestou esperança de que as eleições em setembro deem voz ao povo, como também disse que há uma possibilidade real de avanço nos processos de paz após tantos anos de guerra. Ele se referiu às negociações que estão acontecendo entre líderes do Talibã e os Estados Unidos, com a expectativa de resultar em um cessar-fogo duradouro, e conversas com o governo do Afeganistão.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou no domingo (18) o ataque “hediondo” ocorrido no sábado (17), expressando também suas “condolências para as famílias das vítimas, o governo e a população do Afeganistão”.

O ataque ocorreu no salão de casamento Shahr-e-Dubai, em Cabul, onde cerca de 1 mil pessoas estavam participando de uma cerimônia de casamento xiita, informou a UNAMA após declarar que sua equipe de direitos humanos iria investigar o ocorrido.

De acordo com a imprensa, um grupo afiliado do Estado Islâmico assumiu responsabilidade pelo ataque.

“Um ataque direcionado a civis é uma afronta e muito preocupante, pois só pode ser descrito como um ato covarde de terrorismo”, disse Yamamoto. “Condeno esses ataques direcionados a civis que mostram uma intenção deliberada de disseminar medo entre a população que já sofreu demais”.

O salão de casamento onde ocorreu o ataque é situado em uma área de Cabul povoada pela minoria afegã de muçulmanos xiitas. A UNAMA registrou vários ataques direcionados intencionalmente contra esta minoria.

“A frequência desses ataques hediondos indica que as medidas de segurança que estão em vigor devem ser reforçadas, e que aqueles que organizam e permitem tais ataques devem ser julgados e responsabilizados”, acrescentou o chefe da UNAMA. “A ONU se solidariza com todos os afegãos e continua empenhada no avanço do processo de paz liderado pelo Afeganistão, que trará um fim à guerra e resultará em paz duradoura”.