‘Manutenção da paz é carro-chefe da ONU’, diz secretário-geral em dia de homenagens

Marcando o Dia Internacional dos Trabalhadores das Forças de Paz, Ban Ki-moon participou de cerimônia em memória de todos os trabalhadores das forças de paz das Nações Unidas mortos desde 1948. Um dos homenageados foi o ex-comandante militar da missão da ONU no Haiti, José Luiz Jaborandy Júnior.

Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, entrega a medalha 'Capitão Mbaye Diagne pela Coragem Excepcional' a Yacin Mar Diop, viúva do capitão Diagne. Foto: ONU/Eskinder Debebe

Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, entrega a medalha ‘Capitão Mbaye Diagne pela Coragem Excepcional’ a Yacin Mar Diop, viúva do capitão Diagne. Foto: ONU/Eskinder Debebe

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, promoveu na semana passada (19) cerimônias na sede da ONU em Nova York em comemoração ao Dia Internacional dos Trabalhadores das Forças de Paz, que é normalmente marcado no dia 29 de maio, sob o tema “Honrando nossos Heróis”.

Em um dos eventos, foi entregue a medalha “Capitão Mbaye Diagne pela Coragem Excepcional”, em cerimônia inaugural que homenageou Mbaye Diagne. O chefe da ONU entregou a medalha à família de Diagne, responsável por salvar centenas de vidas em 1994 enquanto servia como membro da força da paz em Ruanda, antes de morrer após ser ferido em serviço.

Ban observou que a medalha ajuda a garantir que o capitão Diagne e aqueles que seguem os seus passos sejam sempre lembrados pela ONU e pelas pessoas em todo o mundo.

“Esta medalha é para militares, policiais ou funcionários civis das Nações Unidas e pessoal associado que seguem a tradição do capitão Diagne. Eles devem demonstrar coragem excepcional frente ao perigo extremo enquanto cumprem seu mandato a serviço da humanidade e das Nações Unidas”, disse o chefe da ONU.

Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, durante cerimônia na sede da ONU em memória dos trabalhadores das forças de paz mortos enquanto serviam sob a bandeira azul da Organização. Foto: ONU/Mark Garten

Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, durante cerimônia na sede da ONU em memória dos trabalhadores das forças de paz mortos enquanto serviam sob a bandeira azul da Organização. Foto: ONU/Mark Garten

Em outro evento, Ban entregou uma coroa de flores em homenagem aos trabalhadores e presidiu a cerimônia durante a qual uma medalha “Dag Hammarskjöld” foi entregue postumamente a 129 militares, policiais e civis que perderam suas vidas enquanto serviam às operações de paz ao longo de 2015. A cerimônia também lembrou os cerca de 3.500 trabalhadores das forças de paz que morreram desde 1948.

O ex-general brasileiro José Luiz Jaborandy Júnior, que atuava como comandante da Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (MINUSTAH) no momento de sua morte após um infarto, está entre os homenageados. A medalha foi recebida por um representante da Missão Permanente do Brasil na ONU e posteriormente enviada à família de Jaborandy.

Lembrando a morte de mais sete membros das forças de paz da ONU após um ataque a uma base em Kidal, no Mali, no dia 12 de fevereiro, Ban Ki-moon observou que manter a paz está ficando cada vez mais perigoso, mas que estes ataques nunca deterão as Nações Unidas de realizar seus objetivos.

Ban destacou que aqueles que foram homenageados eram homens e mulheres inspiradores, muito parecidos com o ex-secretário-geral Hammarskjöld, morto em 1961 quando estava a caminho de uma negociação de paz.

“Eles não estavam somente apoiando a paz abstratamente – eles estavam no campo de batalha. Eles perderam suas vidas fazendo o trabalho crítico em alguns dos lugares mais perigosos e difíceis do planeta”, disse o chefe da ONU.

“Neste dia, honramos nossos heróis, os mais de um milhão de homens e mulheres que serviram sob a bandeira das Nações Unidas, com orgulho, distinção e coragem desde a primeira implantação em 1948”, disse o secretário-geral em uma mensagem para o Dia.

A cerimônia marca o oitavo ano consecutivo em que a Organização homenageia mais de cem capacetes-azuis – como são conhecidos os integrantes das forças de paz – que perderam suas vidas em serviço no ano anterior.

Em sua mensagem para a data, Ban Ki-moon enfatizou que a confiança depositada na ONU em relação à paz se reflete em seu “enorme crescimento” nos últimos anos, tanto em termos de números quanto de complexidade.

Quinze anos atrás, a ONU tinha menos de 40 mil militares e policiais. Hoje são mais de 105 mil funcionários uniformizados de 124 contingentes de países diferentes que servem ao lado de 18 mil funcionários civis internacionais e voluntários da ONU.

“Eles expressam o melhor da solidariedade global, servindo corajosamente para garantir a segurança em alguns dos ambientes mais perigosos e vulneráveis do mundo”, disse o secretário-geral.

Também no mesmo dia, Herve Ladsous, subsecretário-geral da ONU para as Operações de Manutenção da Paz, destacou que os trabalhadores das forças de paz atuam em alguns dos ambientes mais perigosos do mundo. “Muitos deles pagaram o preço final enquanto serviam sob a bandeira azul em nome da paz. Hoje, prestamos homenagem a sua memória ao nos dedicarmos aos ideais pelos quais eles se sacrificaram tanto”, acrescentou Ladsous.

De acordo com Atul Khare, subsecretário-geral da ONU de Suporte de Campo, “os sacrifícios dos bravos homens e mulheres das forças de paz nos inspiram a servir com coragem e dignidade e a perseguir a melhoria contínua e a inovação no nosso trabalho”.

“Devemos isso não apenas para os nossos colegas falecidos, mas também aos milhões de civis a quem nos foi confiado proteger. Temos de continuar trabalhando em conjunto para permitir que operações complexas tenham sucesso com um apoio rápido, eficaz, eficiente e responsável”, disse.