Mangueira e ONU Mulheres levarão luta pela igualdade de gênero para o carnaval carioca

A escola de samba carioca adere às campanhas da agência da ONU “O Valente não é Violento” e “Pequim+20!” e promoverá ações de sociais e culturais para promover o direito das mulheres.

No carnaval de 2015, a Mangueira promoverá a igualdade de gênero. Foto: Cora Ronái/Flickr (Creative Commons)

No carnaval de 2015, a Mangueira promoverá a igualdade de gênero. Foto: Cora Rónai/Flickr (Creative Commons)

No próximo carnaval os direitos das mulheres e a luta delas pela igualdade de gênero serão narrados na Marquês de Sapucaí e ilustrado pelas alas, carros alegóricos e sambistas tradicionais da Estação Primeira da Mangueira através do enredo “Agora chegou a vez vou cantar, mulher brasileira em primeiro lugar”. Essa parceria entre a ONU Mulheres e a escola de samba carioca será anunciada oficialmente neste sábado (11).

Em feijoada em homenagem à agência das Nações Unidas, a escola de samba se unirá a campanha “O Valente Não é Violento” da ONU, dirigida aos homens e meninos. Com ações para educadores e formadores de sua comunidade, a Mangueira pretende incentivar o apoio masculino à igualdade de gênero e ao enfrentamento à violência contra mulheres e meninas.

“Ao eleger 2015 como o Ano das Mulheres na Mangueira, a escola se engaja na rede em defesa dos direitos das mulheres. A partir dessa parceria, reforçaremos o trabalho da Mangueira em favor da igualdade de gênero no dia a dia de milhares de pessoas que estão envolvidas nos projetos sociais e na comunidade como um todo. Estamos muito animadas com o compromisso da escola em contar a história das mulheres da Mangueira e do Brasil na passarela do samba para milhões de pessoas”, disse a representante da ONU Mulheres Brasil, Nadine Gasman.

Com enredo voltado às mulheres, o carnaval 2015 da Mangueira é uma das atividades do calendário de celebração Pequim+20, que busca apoio global ao cumprimento da Plataforma e do Plano de Ação de Pequim. Liderada pela ONU Mulheres, a campanha internacional Pequim +20 tem como lema “Empoderar as Mulheres. Empoderar a Humanidade. Imagine!” chegará ao espaço do samba.

“Pequim+20 é uma mobilização internacional para avançar na garantia e no acesso dos direitos de mulheres e meninas. Na sua proposta para o carnaval 2015, a Mangueira quer propor um futuro sem discriminações de gênero. A mensagem da igualdade de gênero e do empoderamento das mulheres tem de alcançar mentes e corações por diferentes linguagens e o samba é uma delas”, completou Gasman.

Valorização das mulheres 

O Ano das Mulheres na Mangueira se iniciou em setembro de 2014 e seguirá até setembro de 2015 com ações junto a projetos sociais, tais como Vila Olímpica, Segundo Tempo da Educação e escola técnica.

A Mangueira é uma das mais tradicionais escolas de samba do Rio de Janeiro, fundada em 28 de abril de 1928, e pioneira na inclusão de mulheres na ala de compositores. Para ilustrar seu enredo em 2015, a Verde-e-rosa mostrará mulheres do dia a dia, artistas e figuras históricas, entre elas: Teresa de Benghela, Dandara, Tia Ciata, Xica da Silva, Mãe Menininha Gantois, Chiquinha Gonzaga, Clara Nunes, Dalva de Oliveira, Elis Regina, Princesa Isabel, Imperatriz Leopoldina, Maria Quitéria e Maria Bonita.

Mobilização global

Em maio passado, a ONU Mulheres lançou a campanha Pequim+20 “Empoderar as Mulheres. Empoderar a Humanidade. Imagine!” com um ano de atividades em todo o mundo para mobilizar governos, cidadãos e cidadãs para imaginar um mundo em que a igualdade de gênero seja uma realidade e se unir a um debate mundial sobre o empoderamento das mulheres com a finalidade de empoderar a humanidade.

Em março de 2015, avanços e lacunas da Declaração e da Plataforma de Pequim serão discutidas na Comissão sobre a Situação da Mulher (CSW), culminando com um evento de alto nível na Assembleia Geral da ONU, em setembro. Será um posicionamento importante sobre a agenda pós-2015, propondo um modelo de desenvolvimento para o futuro em que a garantia dos direitos das mulheres, a autonomia e a igualdade de gênero fazem parte dos grandes debates e acordos mundiais.