Mali: UNICEF condena uso de crianças em manifestações violentas no norte do país

Crianças em escola no Mali. Foto: UNICEF/Harandane Dicko

Na sequência de violentos protestos ocorridos em Kidal, no norte do Mali, nos dias 18 e 19 de abril, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) alertou que os eventos interromperam a educação das crianças na região e as colocaram em perigo.

De acordo com relatos verificados pelo UNICEF, muitas crianças foram retiradas das salas de aula durante o horário escolar para participar de manifestações.

“O UNICEF condena qualquer ação que interrompa o desenvolvimento normal da educação das crianças e recorda a todas as partes que o lugar da criança é na escola, porque a educação é a melhor maneira de garantir um futuro próspero para as crianças e para a nação”, disse a agência da ONU em um comunicado de imprensa.

“O acesso a educação tem se tornado impossível para muitas crianças em Kidal. Os esforços para trazer milhares de crianças para a escola no norte do Mali podem ser desperdiçados se as crianças [cuja situação já é frágil] são retiradas da sala de aula”, disse Fran Equiza, representante do UNICEF no Mali.

Segundo a agência, quando as crianças não estão na escola, são mais vulneráveis ao abuso, exploração ou o recrutamento por grupos armados. O UNICEF apelou para que elas sejam mantidas na escola, de modo a continuar sua educação. Além disso, a apenas dois meses das provas de fim de ano, uma interrupção pode lhes custar um ano inteiro de educação.

Para o ano letivo de 2015-2016, esforços consideráveis têm sido promovidos por parceiros da área de educação no Mali, incluindo pelo UNICEF, para ajudar a aumentar o acesso à educação formal para cerca de 344 mil crianças nas regiões de Gao, Timbuktu, Kidal, Mopti e Segou – todas afetadas pela crise de segurança.

Desde outubro de 2015, através de uma campanha, o UNICEF conseguiu facilitar o regresso e permanência na escola de 29 mil crianças em zonas afetadas pela crise, incluindo 4,9 mil em Kidal.

Ban condenou manifestações violentas

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, condenou veementemente, na semana passada, as manifestações violentas que ocorreram no início da semana em Kidal. Pelo menos dois manifestantes foram mortos e vários outros feridos.

Lamentando a perda de vidas e ferimentos, o secretário-geral, em um comunicado emitido por seu porta-voz, também destacou o dano “inaceitável” da pista de pouso de Kidal, essencial para a prestação de serviços e apoio às pessoas na região, sendo usada inclusive pela Missão das Nações Unidas no Mali (MINUSMA).

Ban Ki-moon expressou suas sinceras condolências às famílias dos que morreram, e desejou uma rápida recuperação aos feridos. Além disso, a declaração expressa o compromisso do chefe da ONU de investigar os fatos que levaram à violência.

“O secretário-geral apela urgentemente a todos os líderes locais para que cooperem para neutralizar as tensões e exercer moderação, de modo a permitir uma investigação rápida sobre os acontecimentos”, acrescentou a declaração. Ban ressaltou que uma retomada da calma e da ordem na área facilitaria a retomada do funcionamento da pista de Kidal e a promoção dos esforços comuns de apoio ao acordo de paz.

Ban reiterou o compromisso das Nações Unidas de apoiar a estabilização do Mali e a implementação do acordo de paz.