Mali: Apoio internacional entra em uma nova etapa, afirma funcionário da ONU

Diretor de Operações do Escritório da ONU de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) disse que existe “oportunidade real” para país africano, recém saído de uma crise política e de segurança.

A cautela prevalece entre as famílias deslocadas no que diz respeito ao retorno às suas causas, afirma o ACNUR. Na imagem, de 10 de fevereiro deste ano, a menina Talawit Diko, de 5 anos, descansa no quarto compartilhado com 10 outros membros de sua família em um antigo hotel em Mopti. Foto: ACNUR/H.Caux.

Depois de um período de violência brutal e colapso econômico no Mali, o acesso agora está estável o suficiente para que a ajuda humanitária, se adequadamente financiada, possa ajudar centenas de milhares de pessoas a reconstruir suas vidas, afirmou um funcionário das Nações Unidas nesta terça-feira (26) após uma visita ao país africano.

“O povo de Mali sofreu terrivelmente. Agora é o tempo para que os ajudemos”, afirmou o Diretor de Operações do Escritório da ONU de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), John Ging, a jornalistas em Nova York.

O último apelo humanitário para o Mali pediu 373 milhões de dólares, incluindo 153 milhões para as intervenções mais urgentes nos próximos seis meses. No entanto, apenas 17 milhões já foram recebidos até agora, disse Ging.

Ele ressaltou que a segurança e o acesso humanitário melhoraram, o que deve encerrar as dúvidas sobre a eficácia da ajuda neste momento, incluindo a ajuda necessária ao desenvolvimento que poderia restaurar a capacidade das pessoas de se sustentar.

“Nós estamos lá, frente a necessidades imediatas. Mas não apenas a necessidade, há também a oportunidade real de mudar as coisas.”

O norte do Mali foi ocupado por radicais islâmicos após os combates começarem, em janeiro de 2012, entre as forças governamentais e os rebeldes tuaregues. O conflito levou o Governo do Mali a solicitar a assistência da França para deter o avanço militar de grupos extremistas.

Desde o início do conflito, em janeiro de 2012, mais de 430 mil pessoas foram deslocadas – cerca de 260 mil internamente enquanto outras 170 mil fugiram como refugiadas para os países vizinhos.

Além de interromper a vida daqueles que fugiram, isso deixou as clínicas de saúde curtos de médicos, escolas sem professores e plantas de energia elétrica sem os engenheiros, disse ele.