Mais Médicos: No Espírito Santo, profissional cubano enfatiza a necessidade de medicina humanista no Brasil

“O povo precisa de um médico para fazer pré-natal, assegurar que as crianças tenham um desenvolvimento com boa saúde, cuidar dos diabéticos, dos hipertensos. A medicina tem que ter como foco a pessoa, a sociedade e a justiça social”, afirma Rafael Medina, do Programa Mais Médico.

O médico cubano cubano Rafael Matos Medina durante atendimento na Unidade Básica e Especializada de Saúde de Viana, Espírito Santo. Foto: OPAS

O médico cubano cubano Rafael Matos Medina durante atendimento na Unidade Básica e Especializada de Saúde de Viana, Espírito Santo. Foto: OPAS

Localizada na região metropolitana de Vitória, Viana contava até 2013 com apenas 39 médicos para atendimentos em todo a sua área. Desde então, o município capixaba triplicou o número de profissionais, sendo 21 deles participantes do Programa Mais Médicos, inclusive 14 cubanos.

A Unidade Básica e Especializada de Saúde de Viana, mais conhecida como Viana Sede, recebeu um grande reforço na sua equipe: foram dois médicos argentinos e dois médicos cubanos do Programa Mais Médicos. Além dos quatro estrangeiros, a unidade conta ainda com dois médicos brasileiros provenientes do Programa de Valorização do Profissional da Atenção Básica, o Provab.

“Antes a gente tinha as equipes mas faltavam os médicos, e a gente tentava fazer o que podia com enfermeiros, agentes de saúde e técnicos de enfermagem. Mas a gente não conseguia dar conta, porque nem sempre tinha médico disponível na unidade. Com a chegada do Programa Mais Médicos nós diminuímos muito o número do pronto atendimento, porque agora podemos agendar as consultas e fazer um planejamento. Isso foi bom demais para nós”, conta a gerente da unidade, Roseny Peixoto Bragato.

O cubano Rafael Matros Medina destaca a formação humanista da medicina em seu país e diz que o Brasil precisa fortalecer esse aspecto. “A formação em medicina aqui custa muito caro, e em Cuba é de graça”, enfatizou. Para ele, mais que medicina de ponta, as pessoas buscam médicos que mostrem cuidado com o paciente, tomando o tempo para examiná-los e escutá-los. “O povo não precisa de um médico especialista em medicina nuclear. Precisa de um médico para fazer pré-natal, assegurar que as crianças tenham um desenvolvimento com boa saúde, cuidar dos diabéticos, dos hipertensos. A medicina tem que ter como foco a pessoa, a sociedade e a justiça social.”

Vale lembrar que o Programa Mais Médicos não se limita ao componente de mobilização de médicos para lugares que necessitam de provimento – provavelmente, o componente que tem recebido maior divulgação. O programa tem um alcance mais abrangente: o incremento e a melhoria da infraestrutura dos serviços de saúde, o aumento da formação de profissionais para o Sistema Único de Saúde e as alterações no currículo acadêmico de formação em medicina, que passará a ter maior orientação para a atenção básica de saúde.

Saiba mais: http://goo.gl/iVPIOK

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