‘Mais Médicos’: Em Colatina (ES), cubanas recebem apoio popular, mas são segregadas por médicos brasileiros

Em uma das unidades de saúde contempladas, o número de atendimentos passou de 20 para 128 por semana, segundo a Prefeitura.

O Mais Médicos é um programa de saúde lançado em 08 de julho de 2013 pelo governo federal, cujo objetivo é suprir a carência de médicos nos municípios do interior e nas periferias das grandes cidades do Brasil. Médicos brasileiros tiveram prioridade em preencher as vagas do programa, as vagas remanescestes foram oferecidas primeiramente a brasileiros formados em universidades no exterior e em seguida a médicos estrangeiros, que trabalham sob uma autorização temporária para praticar medicina, limitada à provisão de atenção básica de saúde e restrita às regiões onde serão direcionados pelo Programa.

Yailyn Gaimetea Rodriguez (direita) e Ana Maria Torati Morais. Médica e paciente da Unidade de Saúde São Silvano, em Colatina. Foto: OPAS

Yailyn Gaimetea Rodriguez (direita) e Ana Maria Torati Morais. Médica e paciente da Unidade de Saúde São Silvano, em Colatina. Foto: OPAS

Em Colatina, município localizado na região noroeste do Espírito Santo, já foram recebidos 16 profissionais do Programa Mais Médicos desde o início de 2014, como a cubana Yailyn Gaimetea Rodriguez que atende a população da Unidade de Saúde São Silvano. Yailyn recebe entre 25 a 27 pacientes por dia. Onde existia fila, hoje existe atendimento imediato, segundo ela. Em uma das unidades de saúde contempladas, o número de atendimentos passou de 20 para 128 por semana, segundo a Prefeitura.

A paciente de Yailyn, Ana Maria Torati Morais, aprova enfaticamente o trabalho das médicas cubanas “a melhor coisa que fizeram foi colocar essas médicas trabalhando aqui. A gente marca na hora, elas atendem na hora, é muito bom mesmo”, destaca. Segundo a Secretária de Saúde do município de Colatina, Débora Gatti Carvalho, “O Programa Mais Médicos foi muito bom porque existia uma dificuldade enorme em fixar médicos na atenção básica. Os profissionais têm feito muita diferença no atendimento, nós temos recebido muitos elogios. Eu acho até que o programa deve ser estendido, por ainda mais tempo, se possível, porque a nossa experiência foi muito positiva”.

Uma pesquisa divulgada em setembro de 2014 e realizada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em parceria com o Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), mostrou que o Programa Mais Médicos era aprovado por 95% dos entrevistados. Porém mesmo com a massiva aprovação popular alguns integrantes da classe médica ainda segregam os médicos cubanos. “Temos um ótimo relacionamento com as equipes, com os enfermeiros, mas com os médicos brasileiros do posto… Não os conhecemos. Eu não sei se eles gostam ou não gostam da gente, não sei porque eles não falam conosco, eu tentei uma aproximação quando cheguei aqui mas não foi para frente”, destaca Yailyn.

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS) no Brasil estruturou uma série de reportagens sobre o Programa de Cooperação Técnica Mais Médicos, apresentando vídeos mostrando a experiência do programa em algumas regiões do país. O objetivo é refletir sobre o andamento da cooperação, desde a chegada dos médicos cubanos, o processo de formação, a integração com outros profissionais, a percepção da população, os resultados obtidos, os avanços, os processos de inovação e a troca de experiências. O décimo sexto episódio mostra Colatina – ES, e a análise da Secretária de Saúde do município, o depoimento da médica cubana em exercício, a opinião da enfermeira da equipe de Estratégia de Saúde da Família, além dos testemunhos de dois pacientes e de duas agentes comunitárias de saúde.