Mais de um milhão de pessoas podem passar fome na Somália, alerta ONU

A situação também é crítica entre as crianças: de acordo com a FAO uma em cada sete crianças menores de cinco anos sofre de desnutrição aguda em um total de 218 mil.

Uma criança guia um camelo no mercado de Hargeisa na Somália, construído pela FAO com fundos do Reino Unido. Foto: FAO/Frank Nyakairu

Uma criança guia um camelo no mercado de Hargeisa na Somália, construído pela FAO com fundos do Reino Unido. Foto: FAO/Frank Nyakairu

Chuvas fracas, conflitos, interrupções no comércio e assistência humanitária reduzida levaram a um agravamento da situação de segurança alimentar em toda a Somália, alertou a ONU nesta terça-feira (02), acrescentando que a desnutrição aguda aumentou em muitas áreas, especialmente entre as crianças.

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) disse que mais de um milhão de pessoas no Chifre da África enfrentam uma grave insegurança alimentar e é possível que a situação continue a deteriorar ainda mais até o início das chuvas em outubro.

Os resultados de uma recente avaliação conjunta indicam que mais de um milhão de pessoas viverão uma situação de crise – um aumento de 20% desde janeiro deste ano. Para atender suas necessidades alimentares imediatas, elas precisam de assistência humanitária urgente e apoio à subsistência entre agora e dezembro de 2014.

A situação também é crítica entre as crianças, já que as pesquisas mostram que uma em cada sete crianças menores de cinco anos sofrem de desnutrição aguda, em um total de 218 mil, representando um aumento de 7% desde janeiro de 2014. A este número se somam outras 43,8 mil crianças gravemente desnutridas, que enfrentam um risco ainda maior de morbidade e mortalidade, a FAO observou.

Estima-se que com a irregularidade e falta de chuva a colheita na Somália reduzirá cerca de 37% neste ano e também já provocou a diminuição da atividade de pecuária e de produção de leite em diversas áreas. As ofensivas militares contra os insurgentes em março deste ano também exacerbaram a situação de insegurança alimentar, prejudicando o comércio e reduzindo o acesso de empregos agrícolas sazonais.