Mais de 50 países prometem alocar US$7 bi para ajuda humanitária na Síria

Ministros das Relações Exteriores de mais de 50 países se reuniram na quinta-feira (14) em uma conferência conjunta de União Europeia e ONU em Bruxelas e prometeram fornecer um recorde de 6,97 bilhões de dólares para apoiar milhões de sírios necessitados tanto dentro do país como em comunidades de acolhida para além de suas fronteiras.

Refugiado sírio no Líbano, que tem a mesma idade do conflito em seu país - 8 anos. Foto: ACNUR/Andrew McConnell

Refugiado sírio no Líbano, que tem a mesma idade do conflito em seu país – 8 anos. Foto: ACNUR/Andrew McConnell

Ministros das Relações Exteriores de mais de 50 países se reuniram na quinta-feira (14) em uma conferência conjunta de União Europeia e ONU em Bruxelas e prometeram fornecer um recorde de 6,97 bilhões de dólares para apoiar milhões de sírios necessitados tanto dentro do país como em comunidades de acolhida para além de suas fronteiras.

Em um apelo gravado em vídeo para aqueles que participaram da terceira grande conferência sobre a Síria na capital belga, o secretário-geral da ONU, António Guterres, exortou os países a renovarem seus “compromissos financeiros, humanitários e políticos com o povo sírio e aos países e comunidades que hospedam refugiados”.

Ele acrescentou: “apenas uma solução política baseada na Resolução 2254 do Conselho de Segurança pode trazer paz sustentável à Síria”.

O chefe do Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), Mark Lowcock, disse estar “satisfeito com este importante sinal de solidariedade por parte da comunidade internacional com o povo sírio e com os vizinhos da Síria que estão recebendo um grande número de refugiados e sentindo as tensões por sua generosidade”.

Em 2017, os doadores prometeram 6 bilhões de dólares em Bruxelas e, em 2018, 4,4 bilhões de dólares. A captação total de recursos para 2018 alcançou pouco mais de 6 bilhões de dólares até o final do ano. A meta de quinta-feira era chegar a 8,8 bilhões de dólares para o Plano de Resposta Humanitária da Síria e o Plano Regional de Refugiados e Resiliência. A arrecadação de fundos vai continuar ao longo do ano, disse o OCHA.

“Ter uma posição esclarecida sobre os níveis de financiamento tão cedo no ano nos dá confiança de que seremos capazes de sustentar um nível muito alto de programação ao longo do ano”, disse Lowcock.

Alerta sobre Idlib

Em seu principal apelo a doadores, Lowcock expressou crescente preocupação com a deterioração da situação em Idlib, no noroeste da Síria, onde mais de 90 pessoas foram mortas por bombardeios e ataques aéreos no mês passado, quase metade delas, crianças.

Seus comentários seguem os ataques aéreos relatados na província de Idlib, controlada pela oposição, que abriga cerca de 3 milhões de pessoas e numerosos grupos armados que se estabeleceram lá após terem sido expulsos de outros redutos rebeldes.

Descrevendo o conflito como “uma das grandes crises do nosso tempo”, Lowcock acrescentou que um ataque militar em larga escala contra Idlib “criaria a pior catástrofe humanitária que o mundo já viu no século 21”.

Outros lugares na Síria “estão mais tranquilos do que há um ano”, acrescentou o funcionário da ONU, antes de alertar que os “últimos bolsões controlados pelo Estado Islâmico” no nordeste estão experimentando “violência contínua e até crescente”.

Além da constante ameaça de violência, as famílias sírias enfrentam cada vez mais dificuldades, explicou Lowcock, com oito em cada dez pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza e com custos de alimentação seis vezes maiores do que antes da guerra.

A prestação de serviços de saúde é “irremediavelmente inadequada”, continuou o funcionário da ONU, de serviços maternais a serviços reprodutivos, apoio nutricional e tratamento de doenças, enquanto a maioria das 6,2 milhões de pessoas deslocadas dentro da Síria precisam de ajuda com abrigo.

Necessidades estão aumentando, diz chefe do ACNUR

O alto-comissário das Nações Unidas para os refugiados, Filippo Grandi, advertiu que “as necessidades estão se tornando mais, não menos, severas” para os refugiados sírios e comunidades anfitriãs nos países vizinhos e para os “muitos” sírios que voltam para casa.

Apesar desses retornos, Grandi sugeriu que levaria algum tempo até que um número maior de pessoas deixasse os países vizinhos, devido ao enorme nível de destruição da infraestrutura básica dentro da Síria, juntamente com a insegurança contínua e a falta de elementos básicos.

O alto-comissário pediu “investimentos mais previsíveis” dos doadores para aliviar a pressão sobre as comunidades anfitriãs em Líbano, Turquia, Jordânia, Egito e Iraque, onde os governos estão encontrando cada vez mais dificuldades para explicar às populações locais que os países precisam continuar acolhendo um grande número de sírios.

Conflito não terminou, diz oficial da UE

A co-apresentadora da conferência, Federica Mogherini, principal autoridade de Relações Exteriores da UE, sublinhou a necessidade de mostrar solidariedade ao povo da Síria e demonstrar apoio a uma solução política liderada pela ONU. O conflito de mais de oito anos “ainda não acabou”, disse ela.

“Queremos que o povo da Síria não seja esquecido em um momento em que a comunidade internacional parece se importar um pouco menos”, acrescentou Mogherini. “Uma situação militar pode estar se desenvolvendo em um sentido ou outro, mas o que está claro para qualquer um é que atingir a paz exigirá um processo político de propriedade da Síria liderado pelas Nações Unidas em Genebra.”

Atualmente, 12 milhões de sírios estão refugiados ou deslocados dentro da Síria, cerca de metade da população pré-guerra.

Sob o apelo da ONU, 3,3 bilhões de dólares são necessários para ajudar os deslocados dentro da Síria e 5,5 bilhões de dólares são necessários para refugiados e comunidades de acolhimento em países vizinhos.

Sem o financiamento contínuo, as atividades humanitárias “seriam interrompidas, cortando as entregas de alimentos que salvam vidas, água, saúde, abrigo e proteção”, alertou Lowcock.