Mais de 43 mil refugiados e migrantes já cruzaram o Mediterrâneo em 2017, diz ACNUR

AUMENTAR LETRA DIMINUIR LETRA

Desde a última sexta-feira (5), 6 mil refugiados e migrantes chegaram à Itália pelo Mediterrâneo. O contingente elevou para mais de 43 mil o número total de pessoas que já se arriscaram pelo mar em 2017 para aportar em solo europeu.

Os dados foram divulgados pelo alto-comissário da ONU para Refugiados, Filippo Grandi, que alertou no último domingo (7) para as mortes e desaparecimentos, registrados desde o início do ano, de mais de 1,1 mil indivíduos durante a travessia.

Migrantes e refugiados resgatados no Mediterrâneo aguardam desembarque em Pozzalo, na Itália. Foto: ACNUR/F. Malavolta

Migrantes e refugiados resgatados no Mediterrâneo aguardam desembarque em Pozzalo, na Itália. Foto: ACNUR/F. Malavolta

Desde a última sexta-feira (5), 6 mil refugiados e migrantes chegaram à Itália pelo Mediterrâneo. O contingente elevou para mais de 43 mil o número total de pessoas que já se arriscaram pelo mar em 2017 para aportar em solo europeu. Os dados foram divulgados pelo alto-comissário da ONU para Refugiados, Filippo Grandi, que alertou no último domingo (7) para as mortes e desaparecimentos, registrados desde o início do ano, de mais de 1,1 mil indivíduos durante a travessia.

“A rota da região central do mar Mediterrâneo, entre o norte da África e a Itália, um dos caminhos mais usados pelos solicitantes de refúgio e pelos migrantes que vão para a Europa, se provou particularmente fatal. Desde o início de 2017, a cada 35 pessoas, 1 morreu no mar em meio ao trajeto entre a Líbia e a Itália. E apenas nestes últimos quatro dias, 75 pessoas perderam suas vidas”, explicou o dirigente.

Descrevendo as ações de resgate como “imprescindíveis”, Grandi enfatizou que “salvar vidas deve ser a prioridade de todos”. “É uma questão de vida ou morte e que vai ao encontro aos nossos sentimentos humanitários mais básicos, e por isso não deveria ser colocado em questão.”

O chefe da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) elogiou os esforços da Guarda Costeira Italiana, da Agência Europeia de Gestão da Cooperação Operacional nas Fronteiras Externas dos Estados-membros da União Europeia (FRONTEX) e de organizações não governamentais.

“Juntos, salvaram dezenas de milhares de vidas. Em 2016, ONGs salvaram mais de 46 mil pessoas na região central do Mediterrâneo, representando mais de 26% de todas as operações de resgate. Essa tendência continua e (o índice já) chegou a 33% desde o início deste ano”, disse Grandi.

Tráfico humano

O alto-comissário também disse estar “profundamente chocado” com a violência cometida por alguns traficantes, incluindo o assassinato sem piedade de um jovem, relatado recentemente por sobreviventes ao ACNUR.

Grandi acrescentou que “o número crescente de passageiros dentro de navios usados por traficantes, com uma média de 100 a 150 pessoas, também são alarmantes e a principal causa de naufrágios”. Outro fator de risco é o estado das embarcações, muitas das quais são de borracha e não, de madeira.

“Além disso, é comum não haver telefones via satélite nesses barcos, fazendo com que o resgate seja ainda mais difícil, já que os migrantes e solicitantes de refúgio não podem ligar para pedir ajuda”, ressaltou.

O dirigente defendeu a criação de alternativas seguras à travessia pelo Mediterrâneo e cobrou ações para prevenir abusos perpetrados por contrabandistas, sobretudo em países de trânsito, como a Líbia.


Mais notícias de:

Comente

comentários