Mais de 4 mil refugiados e migrantes morreram em 2016, a maior parte no Mediterrâneo, alerta OIM

Número de mortos de janeiro a julho desse ano aumento 26% na comparação com 2015. Organização Internacional para as Migrações (OIM) destaca que deslocamento por terra também traz riscos para migrantes e refugiados na Europa, Norte da África e Oriente Médio.

Migrantes e refugiados são resgatados e recebem cuidados médicos na costa italiana. Foto: ACNUR / F. Malavolta

Migrantes e refugiados são resgatados e recebem cuidados médicos na costa italiana. Foto: ACNUR / F. Malavolta

Até o final de julho passado, 4.027 migrantes e refugiados haviam morrido durante viagens por diferentes partes do mundo nesse ano. O número representa um aumento de 26% na comparação com os sete primeiros meses de 2015, quando 2.991 deslocados morreram.

Rota de travessia mais perigosa, o Mar Mediterrâneo foi o cenário de mais de 75% das mortes de 2016 — 3.120 óbitos. No ano passado, as mortes no oceano que liga Europa, Ásia e África somavam 60% do total. Apenas no final do mês passado, foram descobertos 120 cadáveres nas praias de Sabratha, na Líbia.

Os valores foram divulgados na terça-feira (2) pela Organização Internacional para as Migrações (OIM), em relatório que monitora migrantes desaparecidos durante deslocamentos. O documento alerta para os perigos enfrentados por estrangeiros não apenas no mar, mas também em solo europeu.

Até o momento, o ano de 2016 testemunho a chegada de 260 mil migrantes e refugiados à Europa por via marítima. A maioria desse contingente chegou à Grécia ou à Itália, onde mais de 24 mil deslocados aportaram em julho. Quase 8 mil migrantes foram resgatados no Mediterrâneo da última sexta-feira (29) até segunda (1).

No continente europeu, de janeiro a julho, foram registradas 26 mortes de pessoas que já haviam aportado e migravam por terra. Em 2015, o índice era de 31 óbitos. Apesar do decrescimento em 2016, o valor está bem acima do verificado em 2014 — nove mortes.

De acordo com a OIM, o aumento nos dois últimos anos indica que as atuais políticas dos países europeus podem estar elevando os riscos para migrantes e requerentes de asilo que deslocam pelo continente.

No Norte da África, foram registras 342 mortes de deslocados que viajam por terra. O valor equivale a mais de três vezes o número de falecimentos registrados no mesmo período do ano passado.

Segundo o organismo internacional, os dados são reflexo do uso da violência por parte de autoridades locais e de contrabandistas. Ao menos 30 migrantes foram vítimas de crimes fatais. Nos sete primeiros meses de 2015, o número registrado pela OIM não passou de três.

Também no Oriente Médio, a Organização registrou 81 mortes de migrantes em 2016, ao passou que, no passado, apenas dois casos fatais foram relatados e comprovados à agência. Das vítimas desse ano, 64 eram requerentes de asilo sírios que teriam sido alvejados por guardas de fronteira da Turquia.