Mais de 4 mil pessoas foram mortas ou feridas por minas terrestres em um ano, alerta ONU

Dados são do Serviço de Ação de Minas da ONU (UNMAS). Secretário-Geral da ONU pediu prioridade para eliminar a ameaça de minas e resíduos explosivos de guerra.

Abdurrahim Ahmed Mohamed, 12 anos, perdeu a mão direita e a visão do olho esquerdo, quando ele e seus amigos bricavam com explosivos não detonados na sua aldeia em Darfur. Foto: ONU/Albert Gonzalez Farran (abril de 2012)

Abdurrahim Ahmed Mohamed, 12 anos, perdeu a mão direita e a visão do olho esquerdo, quando ele e seus amigos bricavam com explosivos não detonados na sua aldeia em Darfur. Foto: ONU/Albert Gonzalez Farran (abril de 2012)

O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, reiterou nesta quinta-feira (4) a importância de eliminar a ameaça de minas e resíduos de explosivos de guerra que, entre maio de 2011 e maio de 2012, deixaram pelo menos 4.286 pessoas mortas ou feridas, de acordo com o Serviço de Ação de Minas da ONU (UNMAS).

“Os programas das Nações Unidas contra as minas continuam a criar espaço para os esforços de ajuda humanitária, operações de paz e iniciativas de desenvolvimento, permitindo que os funcionários da ONU trabalhem e que refugiados e deslocados internos regressem voluntariamente às suas casas”, disse ele em uma mensagem para marcar o Dia Internacional de Sensibilização sobre Minas e Assistência à Desminagem, celebrado anualmente em 4 de abril.

A ONU continua a oferecer ampla assistência a milhões de pessoas em 59 países e seis outras áreas contaminadas por minas terrestres, incluindo o Afeganistão, Camboja, Colômbia, Laos, Líbano e Sudão do Sul.

“Mas é preciso avançar mais”, alertou Ban, principalmente na Síria e no Mali, onde o impacto humanitário devastador do uso de armas explosivas em áreas povoadas é crescente.

Ban Ki-moon disse estar “encorajado” pelos 161 Estados-Membros que assinaram a Convenção sobre a Proibição de Minas Antipessoais e pediu a adesão total a esse e outros tratados que tratam do tema, como a Convenção sobre Munições de Fragmentação, o Protocolo V sobre Explosivos Remanescentes de Guerra da Convenção sobre Certas Armas Convencionais, bem como a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.

O Chefe de Programas da UNMAS, Paul Heslop, declarou que “a batalha contra as minas foi vencida”, mas alertou que é necessário um financiamento contínuo e apoio internacional para sustentar esse avanço.

Eventos em todo o mundo também marcaram o Dia e lembraram o risco que essas armas representam. Entre eles, a abertura de uma exposição multimídia, intitulada “Por um Mundo Livre de Minas”, nas sedes da ONU em Nova York e Genebra, para destacar os 20 anos da Campanha Internacional para a Proibição das Minas Terrestres.