Mais de 15 milhões de crianças precisam de ajuda no Iêmen, alerta UNICEF

Funcionários do ACNUR conversam com iemenitas na província de Hajjah em março de 2019. Foto: ACNUR/Rashed Al Dubai

Mais de 15 milhões de crianças estão precisando de ajuda humanitária no Iêmen, disse na quarta-feira (15) o chefe do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) aos membros do Conselho de Segurança. Ele pediu ações para pôr fim aos quatro anos de conflito no país, que já matou ou feriu ao menos 7,3 mil crianças.

A cada dia, conforme a coalizão do governo iemenita luta por controle do país contra forças rebeldes houthis, “outras oito crianças podem ser mortas, feridas ou recrutadas”, disse Henrietta Fore. A cada dez minutos, uma criança morre por alguma causa evitável no Iêmen.

“Estes são os números verificados. Os números reais são sem dúvida maiores”, disse Fore, que começou seu discurso descrevendo a história trágica, mas infelizmente real, de uma sala de aula destruída por estilhaços no mês passado na capital iemenita, Sanaa.

“Imaginem as dores sofridas pelas famílias das 14 crianças que nunca voltaram para casa… Em qualquer conflito, crianças sofrem primeiro. E sofrem mais”.

Em torno de 360 mil sofrem de má-nutrição aguda severa e metade das crianças do Iêmen com menos de 5 anos – 2,5 milhões – estão com o crescimento atrofiado, uma condição irreversível. Mais de 2 milhões de crianças estão fora da escola.

“Em resumo, os sistemas dos quais crianças e famílias dependem estão fracassando”, disse a chefe do UNICEF.

Equipes estão trabalhando incansavelmente, acrescentou Fore. No ano passado, 345 mil crianças foram tratadas com má-nutrição severa. Entregas de água potável são feitas para mais de 5 milhões todos os dias.

“Mas este trabalho só responde aos sintomas da catástrofe no Iêmen. Para realmente moldar um futuro melhor para o Iêmen e suas crianças, precisamos de seu engajamento e influência para encerrar esta guerra contra crianças. Agora.”

Impasse político

Em discurso ao Conselho de Segurança no início do encontro, o enviado especial Martin Griffiths cumprimentou o chefe da Missão da ONU de Apoio ao Acordo de Hodeida (UNMHA) por um recente avanço crucial, em linha com o frágil acordo de paz de Estocolmo entre as partes conflitantes, em dezembro do ano passado.

Os houthis se retiraram de forma “totalmente compatível” dos três principais portos do Mar Vermelho de Hodeida – um ponto crucial para entrada de ajuda humanitária e outras importações, disse Griffiths.

“Não esperávamos que a implementação deste acordo fosse fácil. Mas com o contínuo compromisso das partes e da Coalizão, com o rápido e decisivo apoio deste Conselho e com a intendência da UNMHA, vimos o primeiro passo concreto em direção à implementação do Acordo de Hodeida”, acrescentou.

Apenas a retomada de negociações políticas, após um hiato de três anos, pode trazer o tipo de solução abrangente que o Iêmen precisa, disse.

“Estas negociações irão exigir paciência, boa fé, e, claro, concessões além das que vimos antes”, acrescentou.

O coordenador humanitário das Nações Unidas, Mark Lowcock, disse a membros do Conselho de Segurança que 10 milhões de pessoas ainda precisam de assistência alimentar de emergência, enquanto o “espectro da fome ainda paira” sobre o país. A cólera afetou 300 mil apenas neste ano, comparado com 370 mil durante todo o ano de 2018.

Confrontos continuam afetando a operação de ajuda, afetando mais de 900 mil civis apenas em fevereiro e março por restrições de acesso, disse o chefe do Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).

Em março, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) alimentou 10,6 milhões de pessoas, “mais do qualquer mês anterior”. “Em abril, a vacinação contra a cólera alcançou 1,1 milhão em Sanaa”, disse Lowcock. Segundo o coordenador, o objetivo primário é “manter as pessoas vivas”.