Mais de 1 milhão de palestinos precisam de doações de comida em Gaza, diz ONU

A Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) alertou nesta semana (13) que mais de 1 milhão de palestinos precisam de ajuda humanitária para sobreviver em Gaza.

O contingente equivale a cerca de metade da população local e representa um aumento de quase dez vezes no número de cidadãos que passam necessidade no enclave. Piora foi atribuída ao bloqueio econômico contra o território.

O bloqueio tem um impacto devastador sobre as crianças de Gaza, afetando sua saúde física e mental, assim como seus ambientes de aprendizagem. Foto: Khalil Adwan/UNRWA (2016)

Bloqueio tem um impacto devastador sobre as crianças de Gaza, afetando sua saúde física e mental, assim como seus ambientes de aprendizagem. Foto: UNRWA/Khalil Adwan

A Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) alertou nesta semana (13) que mais de 1 milhão de palestinos precisam de ajuda humanitária para sobreviver em Gaza. O contingente equivale a cerca de metade da população local e representa um aumento de quase dez vezes no número de cidadãos que passam necessidade no enclave. Piora foi atribuída ao bloqueio econômico contra o território.

Em pronunciamento, o organismo afirmou que precisa de 60 milhões de dólares até junho para continuar fornecendo comida a esses moradores de Gaza. A população visada pela instituição inclui 620 mil “pobres extremos”, que não podem atender às suas necessidades alimentares básicas e que vivem com 1,6 dólar por dia. Os fundos solicitados também vão permitir cobrir outros 390 mil palestinos, que dispõem somente de 3,5 dólares diários.

Em 2000, menos de 80 mil refugiados palestinos recebiam assistência social em Gaza. Hoje, mais de 1 milhão de pessoas precisam de doações urgentes de comida para chegar ao final do dia.

“Esse é um aumento de quase dez vezes, causado pelo bloqueio que levou ao fechamento de Gaza e ao seu impacto desastroso na economia local, a conflitos sucessivos que arrasaram bairros inteiros e a infraestrutura pública e à contínua crise política interna palestina, que começou em 2007, com a chegada do Hamas ao poder em Gaza”, afirmou o diretor de Operações da UNRWA em Gaza, Matthias Schmale.

A agência da ONU tem se deparado com um número maior de demandas por serviços — o que é resultado de um número crescente de refugiados palestinos registrados. A UNRWA é mantida com contribuições voluntárias e apoio financeiro, já superados pelas necessidades em expansão.

Ao longo do último ano, em meio às demonstrações conhecidas como a “Grande Marcha do Retorno”, 195 palestinos morreram — incluindo 14 alunos de escolas da UNRWA — e 29 mil sofreram danos físicos ou psicológicos. As mobilizações ocorreram após três conflitos devastadores em Gaza desde 2009 — juntos, esses confrontos armados deixaram pelo menos 3.790 mortos e mais de 17 mil feridos.

Um relatório de 2017 da ONU previa que, até 2020, Gaza seria inabitável. Atualmente, com mais de 53% dos habitantes do enclave desempregados e mais de 1 milhão de pessoas dependendo das entregas trimestrais de comida da UNRWA, as agências da ONU e as remessas do exterior são tudo que separa a vida no território do seu total colapso.

“Pela primeira vez em meu um ano e meio lá, eu ouvi três pessoas falando separadamente comigo sobre um notável aumento do uso abusivo de drogas, das tentativas de suicídio e da prostituição”, afirmou Schmale.

O profissional humanitário disse ainda que a região está “desmoronando socialmente”. Segundo o oficial da UNRWA, num contexto como esse, uma escalada de tensões é possível a qualquer momento.

O apoio da agência da ONU é como uma boia salva-vidas para o 1,9 milhão de moradores de Gaza. Além de comida, a instituição também disponibiliza serviços de saúde e educação. A UNRWA chama Estados-membros a financiar coletivamente as suas atividades e programas de emergência — que recebem recursos por meio de plataformas distintas de financiamento.

O organismo internacional é encarregado de ajudar refugiados palestinos que vivem na Jordânia, Líbano, Síria e Cisjordânia — incluindo Jerusalém Oriental e a Faixa de Gaza — a alcançar o seu pleno potencial humano.


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