Mais de 1 milhão de crianças foram forçadas a fugir da violência no Sudão do Sul, diz ONU

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Em comunicado emitido na segunda-feira (8), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) alertaram que crianças já representam 62% dos mais de 1,8 milhão de sul-sudaneses refugiados. Um quinto dos jovens do país teve que cruzar fronteiras para sobreviver. Orçamento da ONU para assistência está gravemente subfinanciado.

Menino sul-sudanês em centro de recepção de refugiados em Imvepi, Uganda. Foto: ACNUR/David Azia

Menino sul-sudanês em centro de recepção de refugiados em Imvepi, Uganda. Foto: ACNUR/David Azia

Mais de 1 milhão de crianças já foram forçadas a fugir da violência no Sudão do Sul, afirmaram na segunda-feira (8) o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR). Atualmente, crianças representam 62% dos mais de 1,8 milhão de refugiados sul-sudaneses.

“O terrível fato de que aproximadamente uma a cada cinco crianças sul-sudanesas tenha sido forçada a deixar seu lar ilustra como o conflito tem sido devastador para os habitantes mais vulneráveis do país”, disse a diretora regional do UNICEF para o sul e leste da África, Leila Pakkala. “Além disso, mais de 1 milhão de crianças estão deslocadas dentro do Sudão do Sul, e o futuro de uma geração inteira está ameaçado.”

A maior parte dos sul-sudaneses que cruzaram fronteiras nacionais para escapar do conflito está em Uganda, Quênia, Etiópia e Sudão.

“Atualmente, nenhuma outra crise de refugiados me preocupa tanto quanto a da Sudão do Sul”, afirmou o diretor do Escritório do ACNUR na África, Velentin Tapsoba. “O fato de as crianças refugiadas estarem se tornando o retrato desta emergência é muito preocupante. Nós, toda a comunidade humanitária, precisamos de comprometimento, apoio urgente e duradouro para que possamos ser capazes de salvar essas vidas.”

Dentro do Sudão do Sul, mais de mil crianças foram mortas ou feridas desde que o conflito eclodiu em 2013. Dentro do país, 1,14 milhão de jovens são considerados deslocados internos. Cerca de três quartos das crianças sul-sudanesas estão fora da escola – é a maior proporção de crianças sem acesso à educação em todo o mundo.

Os traumas, transtornos físicos, medo e estresses vivenciados por tantos meninos e meninas refletem apenas uma parte do que a crise representa exatamente. O ACNUR e o UNICEF lembram que as crianças continuam correndo riscos de recrutamento forçado por grupos armados e, com as estruturas sociais tradicionais prejudicadas, elas se tornam altamente vulneráveis à violência, abusos sexuais e explorações.

Mais de 75 mil crianças refugiadas em Uganda, Quênia, Etiópia, Sudão e República Democrática do Congo cruzaram as fronteiras do Sudão do Sul desacompanhadas ou separadas de suas famílias.

Famílias refugiadas que estão fugindo para Estados vizinhos em busca de abrigo e segurança estão enfrentando ainda mais dificuldades devido à atual estação chuvosa, que expõe os mais jovens a novos riscos de saúde por conta dos abrigos inadequados em que vivem.

O apelo do UNICEF para refugiados sul-sudaneses na região — de 181 milhões de dólares a serem destinados para as necessidades urgentes das pessoas refugiadas até o final do ano — conseguiu arrecadar apenas 52% do valor total.

A equipe do ACNUR está na linha de frente da crise, recepcionando sul-sudaneses conforme eles cruzam os perímetros nacionais e oferecendo assistência emergencial. Contudo, o crônico subfinanciamento em 2017 está colocando em risco serviços essenciais. O apelo da agência da ONU para a situação no Sudão do Sul é de 781,8 milhões de dólares, mas até o momento apenas 11% desse valor foi arrecadado.


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